segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O APRENDIZ














 
Quando tinha medo do escuro
Aprendi a superá-lo
Deixando a luz apagada
Quando sentia a dor da solidão
Aprendi a suportá-la sozinho

Aprendi a não negar meus medos
E a aceitar meus desejos
E também a não ocultar os meus prazeres

Aprendi a respeitar minha vontade
A sentir a minha verdade
A instituir o meu critério sobre o que talvez seja a liberdade

Aprendi também a não negar a dor
E aceitar a sua vinda súbita e cruel
Que por ironia da vida, e que para muitos,
Presente majestoso do céu

Aprendi que não vim ao mundo pra ser prepotente
Nem tampouco “representar” a falsa humildade religiosa
Ou a hipocrisia intelectual, seja a individual
Ou aquela representada pelas instituições
Vim pra ser autêntico
Autenticidade aliada a bom senso

Aprendi que é bonito, porém mentira
De que na vida só se ama uma vez
De que o ciúmes é sinônimo de amor
E de que a compaixão é um bom sentimento
Compaixão sem ação não é nada
Não passa de acessório erótico e estético

Aprendi que dar esmolas não é bondade
E que ser passivo não é virtude
Mas talvez dar um bom dia quando não se quer
Seja uma ótima oportunidade de dar uma oportunidade a si próprio

Destruí imagens
Abandonei rituais
Ladainhas, cânticos
E misticismos banais

Descobri que não preciso de muitas coisas
Precisei esvaziar-me para então me preencher
Fiquei assim, pequeno ante os olhos perplexos do mundo
Mas me vi grande o suficiente para encarar minha finitude
A minha insuficiência, a minha impotência e precariedade
Da qual faz parte toda a miserável e deplorável humanidade.



TIAGO TAMBURU BRESSAN