segunda-feira, 24 de outubro de 2011

VOCÊ ME FEZ VOAR
























A sua solidão reconheceu a minha

As minhas carências reconheceram as suas

Nosso amor deu certo

Porque não tínhamos mais tempo

De não ter tempo para nós mesmos

Nossos espaços estavam ocupados com lixo

Que nos dava a sensação de vazio


Já havíamos nos alimentado

Do sangue de nossas próprias feridas

Por maturidade já havíamos assumido a nossa própria imaturidade

Já prováramos da ingratidão e da incompreensão

Da calúnia, julgamento e indiferença

Tais experiências fizeram a diferença

Fizeram-nos mais humildes

Mais gratos e compreensivos

Mais justos e menos vingativos

Vínhamos sendo preparados por forças ocultas


Eu era independente e desgarrado

A ovelha negra da família

E você não tinha família

Havia perdido o pai amado

Ambos, já havíamos abandonado há tempos muitas ilusões

E nos encontrávamos prontos para a troca

Em um conluio afetivo

Que refletia nos corpos o que vinha crescendo na alma

Era a vida nos preparando para a experiência da troca

Da admiração genuína rumo ao amor sublime

Ao amor que não faz mal

Que não queima nas labaredas do ciúme

O carnal e o espiritual não como forças opostas

Mas sim forças complementares


Procurei você por tantos anos

Por tantos anos senti sua falta

E mesmo antes, muito antes de te-la encontrado

Sentia-me infiel pelas mulheres que te antecediam

E hoje, culpado sinto-me, pelas mulheres que te antecederam

Inteligência advinda da experiência

Eloqüência espontânea do coração

Maturidade espiritual vertendo da alma

Simplicidade mesclada à inocência

Apesar da pouca idade

Desejas apenas o imprescindível


Menina, eu nunca imaginei

Que um dia você seria

A mulher que me fizesse voar

Quatro asas voam juntas

Rumo a um prazer que transcende

A transitoriedade do prazer material


Em nossa relação somos pacientes e terapeutas

Parceiros de cama, de corpos, de almas e vidas

De gostos e gestos

De ideais e confissões


Às vezes sou seu pai

Tens idade pra ser minha filha

Por vezes sinto-te minha mãe

Mas sei que és de fato a minha mulher.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

domingo, 9 de outubro de 2011

UNA GIORNATA PARTICOLARE *
















Algo em mim mudou nessa madrugada

Algo nessa madrugada mudou

De mim em relação a você.


Pela primeira vez senti saudades

E foi pela manhã, logo ao acordar.


Pela primeira vez senti ciúmes

Receio de que se afaste de mim

Medo de aos seus olhos ser “deficiente”

De não ser suficiente

Pros anseios do teu corpo

Pros anseios da tua alma

Pra tua essência de mulher.


Vivi sentimentos ambivalentes

Pois me senti na sua presença

Grande e pequeno

Forte e frágil

Homem e menino.


Foi uma madrugada gostosa

E mesmo não havendo sexo

Houve sexualidade

Houve o toque, o cheiro

Teus desejos e medos expressados

Através do mesmo olhar

Teu calor, tuas confissões

Tua cabeça em meu ombro

Sensações e emoções.


Uma madrugada especial que não esquecerei

Espero que seja a primeira de muitas que virão

De muitas massagens em seus lindos pés

E de muitos beijos por seu corpo todo

Espero poder por mais vezes contemplar, admirar e beijar

O templo sagrado de nosso ingresso ao mundo

Situado em seu corpo.


Mulher, linda e sexy

Mas também menina

Engraçada e “intensa”

Tua língua me acende

Suas contraditórias encanações

Suas descobertas reveladas

Zonas erógenas ativadas.


Se tocar sua cintura me excita e conforta

Sua alma, juntos, desejo vasculhar

E, além disso, também amar e respeitar

Tudo aquilo que viermos dela acessar.


E você conseguiu enxergar em mim algo que nunca ninguém enxergou

E se enxergaram por algum motivo se calaram

E você me disse, se referiu a isso com muito respeito.


E por isso hoje, mais que ontem eu te respeito

Obrigado pela intimidade

Chorei ao recordar o que senti nessa madrugada ao teu lado

Com algumas lágrimas vertidas molhando minha folha

Termino estas palavras

E grato por ter recebido um presente que o dinheiro não compra:


“As coisas mais belas são os desejos secretos de uma mulher.”



TIAGO TAMBURU BRESSAN