Não há mais nada que eu possa fazer
A não ser lamentar por você
Lamentar sua escolha
O seu jogo de azar
Não há mais nada que eu possa fazer
A não ser lamentar
Carregar esse pesar
Por tudo aquilo que não consegui fazer
Por tudo aquilo que não pude ser
E que apesar de tudo
De tudo tentei
Errei, ao tentar te mudar
Será que me faltou conteúdo na hora de dar?
Ou será que te faltou conteúdo na hora de receber?
Pois se dinheiro me faltou
Não me faltaram carinho e desejo
Amor e paixão
Compaixão e compreensão
Dedicação e respeito
Dentro do meu peito
Em pouco tempo fez-se nação
Apesar da tua ingratidão, calúnia e maldição
Agradeço o que foi vivido
E também ao que não chegou a ser construído
Agradeço, sobretudo por não ter tido um filho seu
E pra preservar minha alma
Eu me afasto da tua insanidade
E em respeito à tua liberdade
Eu me desapego dos meus desejos carnais
Renuncio aos meus caprichos pessoais
Pra deixar você crescer
Pra deixar você em paz
No inferno eterno
Onde tua alma desde o nascimento
Em constante sofrimento jaz
Eu saio de cena e deixo de intervir
Eu me retiro do seu raio de visão
Pra que com mérito próprio encontre a própria solução
O tempo breve que passamos quase juntos
Em breve serão apagados
Outros virão, novas rotas surgirão
Novas estórias serão escritas
E um dia nos reencontraremos
E nos cumprimentaremos com educação
Mas sem a mesma emoção de outrora
Ilusão de um passado distante
Hoje, insignificante recordação
Nesse dia teremos a sensação correta ou não
De que tudo o que sentimos
Traduz-se hoje em uma enorme bobagem
Uma tola invenção
Que na época criamos pra nos divertir
Eu estou terminando agora com você
Sentindo que te amo
E você teimando em permanecer
Sabendo que não me ama.
TIAGO TAMBURU BRESSAN