quarta-feira, 27 de julho de 2011

LUZES NA ESCURIDÃO

















Meu organismo começa a se auto-destruir

Não há mais nada que possa ser feito

Nem a ciência com seu conhecimento acumulado

Muito menos a religião com sua auto sugestão


Seja ELA uma viagem para a eternidade

Ou ao nada absoluto, ao vazio eterno

Só sei que quero comtemplar-te

Tocar-lhe o físico

Enquanto ainda vivo, vive o meu


Das poucas certezas que há na vida

Além DELA, só sei que quero o meu corpo no seu

Usei-o tão pouco pela culpa incutida

Que agora, nesta hora tão temida

Faço as pazes com o prazer


Tudo aquilo que em décadas não fiz

Em poucos dias quero fazer

Tudo aquilo que não vivi por anos

Quero viver agora e intensamente


Quero agora

Tudo o que não foi sentido

Tudo o que não foi dito

Tudo o que foi reprimido

É preciso acertar as contas com a própria consciência

Pois não há desejo que possa ser prorrogado

Ou sentimento que possa ser ocultado

Nessa hora a vida é intensa

Quero ter um filho teu

E quem sabe eu, se tempo eu tiver

Ver-te o rebento conceber

Também quero dar e receber

Todas aquelas coisas que o dinheiro não compra


Quando ELA se aproxima

Ela nos ensina

Quão inúteis são nossos mundanos conceitos

Palavras, técnicas, teorias e preconceitos

ELA destrói tudo pra nos expor

Mostrar a realidade de quem somos a nós mesmos


Por isso hoje, desnudado

Eu só sei que quero

Desfrutar do prazer com você

O tempo passa e eu não posso mais ficar pensando

No que não pensar

Pensei a vida inteira em controlar meus pensamentos

Moralizar meus sentimentos

Tantos escudos teóricos criei pra esconder meus medos

Tardiamente é hora de sentir

Eu me quero como eu nunca quis

Eu te quero como sempre quis

Fodam-se os críticos e o autocrítico

É hora da paixão e do prazer

Do amor e da paz

Até que ELA nos separe.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A MONOGAMIA E A LIBERDADE DE AMAR















Você diz que me ama

Mas sei que outro você deseja em nossa cama

Não te repreendo

Na verdade te compreendo

Isso não é absurdo

É mais que normal

E eu só preciso saber

Se por mim desejo ainda nutre


A traição fere menos que a rejeição

E esse jogo de omissão

Serve apenas pra preservar a relação


Diz o ditado que aquilo que os olhos não vêem

O coração não sente

Mas aquilo que os ouvidos não ouvem

Igualmente não perturbam o coração

As mentiras nos confortam

As omissões também

E assim, todos os dias munidos de tais omissões

Vamos adubando e sustentando as nossas relações

Buscando não ferir quem amamos

Ou será buscando não ferir aqueles que por motivos que desconhecemos

Acreditamos precisar?


Abdico do meu orgulho e ciúme

Pra destituir a monogamia sexual

Pois bem mais perigoso que a tal poligamia

É a tal liberdade de amar


A monogamia pode apenas impedir o corpo de realizar

Praticar o ato carnal

Mas quem é tão fraco a ponto de suportar conviver

Com alguém que com você não mais se emociona?

A monogamia pode impedir a prática do ato carnal

Mas qual insegurança será capaz de controlar, extirpar ou abafar

O sentimento que o coração não consegue não sentir?

Essa tática repressiva filha da insegurança chamado ciúme

Pode até impedir o corpo de realizar

Mas jamais impedirá o coração de sentir, de desejar ou amar outra pessoa


Quem quiser que viva feliz sob as vestes da mentira e omissão

Ou sob o manto negro da repressão, coação e autoritarismo

E até mesmo na confortável ilusão de segurança chamada monogamia

Ou se preferir, por ter muito medo de se arriscar nas práticas do amor

E sofrer as conseqüências talvez ruins

Tais como o abandono ou a traição

E com a traição talvez a comparação


O remédio são as compensações

Para os homens, aluguem muitos filmes pornográficos

E uma ótima masturbação

Para as mulheres

Assistam a muitos romances e novelas

E uma ótima depressão


É bonito, soa poético mas é mentira

Que você foi o único e será sempre o melhor.



TIAGO TAMBURU BRESSAN