
Meu organismo começa a se auto-destruir
Não há mais nada que possa ser feito
Nem a ciência com seu conhecimento acumulado
Muito menos a religião com sua auto sugestão
Seja ELA uma viagem para a eternidade
Ou ao nada absoluto, ao vazio eterno
Só sei que quero comtemplar-te
Tocar-lhe o físico
Enquanto ainda vivo, vive o meu
Das poucas certezas que há na vida
Além DELA, só sei que quero o meu corpo no seu
Usei-o tão pouco pela culpa incutida
Que agora, nesta hora tão temida
Faço as pazes com o prazer
Tudo aquilo que em décadas não fiz
Em poucos dias quero fazer
Tudo aquilo que não vivi por anos
Quero viver agora e intensamente
Quero agora
Tudo o que não foi sentido
Tudo o que não foi dito
Tudo o que foi reprimido
É preciso acertar as contas com a própria consciência
Pois não há desejo que possa ser prorrogado
Ou sentimento que possa ser ocultado
Nessa hora a vida é intensa
Quero ter um filho teu
E quem sabe eu, se tempo eu tiver
Ver-te o rebento conceber
Também quero dar e receber
Todas aquelas coisas que o dinheiro não compra
Quando ELA se aproxima
Ela nos ensina
Quão inúteis são nossos mundanos conceitos
Palavras, técnicas, teorias e preconceitos
ELA destrói tudo pra nos expor
Mostrar a realidade de quem somos a nós mesmos
Por isso hoje, desnudado
Eu só sei que quero
Desfrutar do prazer com você
O tempo passa e eu não posso mais ficar pensando
No que não pensar
Pensei a vida inteira em controlar meus pensamentos
Moralizar meus sentimentos
Tantos escudos teóricos criei pra esconder meus medos
Tardiamente é hora de sentir
Eu me quero como eu nunca quis
Eu te quero como sempre quis
Fodam-se os críticos e o autocrítico
É hora da paixão e do prazer
Do amor e da paz
Até que ELA nos separe.
TIAGO TAMBURU BRESSAN
