
Você se foi
Levando contigo os meus segredos
Apontando os meus defeitos
Não satisfazendo os meus desejos
Tirou minhas máscaras
E nada colocou no lugar
E de você eu nada sei
A não ser o que não és
A não ser o que nunca serás
A não ser aquilo que sempre foi
E aquilo que sempre serás
Você se foi
E comigo me deixou a solidão
Cravou-me as marcas da decepção
Uma estranha sensação
Misto de liberdade e prisão
Que agora experimento
Como conseqüência do meu otimismo e teimosia
Seqüelas da carência e fantasia
Pulsões de um ambicioso coração
Da solidão eu tenho medo
Ela potencializa meu lado promíscuo
Que combato em mim
Para que dele não seja escravo
Como fui de ti
E foi por isso que a ti tanto desejei
Pra fugir da promiscuidade
A ti eu me entreguei
Entreguei-me enquanto me usava
Amei-te enquanto me analisava
Dei-te afeto e você ingratidão
Dei-te minha casa e você a traição
Pra ter-te rompi com meus códigos morais
Enfrentei preconceitos sociais
Ofertei as duas faces pro teu escarro
E você retribuiu com a incompreensão
Pois bem, demonstraste tua limitação
A tua parca evolução
Nesse desastre no qual tentei salvar nossas vidas
Enquanto eu fui sincero
Você foi cruel
Enquanto eu te dava
Você me tirava
Enquanto eu te nutria
Você me sugava
Eu compartilhava e você tramava
Dei-te carinho, amor, amizade e respeito
Tolerância e compreensão
Tentei te dar dignidade
Mas foi em vão
Coloquei um futuro em seu caminho
Mas você não se desfez do seu passado
Tratei-te como mulher
Mas você não se sente uma
Enquanto eu tentava amar seus defeitos
Enquanto eu me esforçava
Pra que essa empresa chamada nós progredisse
Você a ridicularizava e a desmerecia
Zombava do meu esforço
Do meu carinho por ti
Você é mulher pra se divertir
Dá valor apenas pra quem quer te possuir
Volta pro teu lodo
Pras entranhas da própria podridão
Sua alma não tem resgate
A morte é sua salvação
Volta pras ruas
Pras suas amizades marginais
Volta pra escória de onde nasceu
Com os ratos com o qual cresceu
Teu cigarro e teu álcool suas companhias
Os únicos amigos seus
Faz da tua vida mesquinha teu lema
Teu obscuro poema
Retorna pro teu mundo bizarro
Cultiva aquilo que cativas
Em seu jardim de árvores secas
E de chuva ácida
Sua alma de plástico fede
Por carregar morto
Um podre coração
No teu universo bizarro e contraditório
Brinca com os sentimentos alheios
Pisa e maltrata os que te amam
Idolatra os que te odeiam
Continua cega e rancorosa
Sozinha e instável
Amarga e pária
Em um corpo semi envelhecido
Seu sustento por enquanto ainda garantido
És preguiçosa, fútil e inútil
Volta pro teu esgoto
E se quiser ser mãe
Se recicle pra não envergonhar seu filho
Com a imundície das suas camas
Acreditando ser feliz no seu mesquinho mundo artificial
No seu caso em especial
Não é aquilo que fazes que torna-te o que és
Mas, o que fazes, é apenas conseqüência daquilo que és.
TIAGO TAMBURU BRESSAN