
Você diz que me ama
Mas sei que outro você deseja em nossa cama
Não te repreendo
Na verdade te compreendo
Isso não é absurdo
É mais que normal
E eu só preciso saber
Se por mim desejo ainda nutre
A traição fere menos que a rejeição
E esse jogo de omissão
Serve apenas pra preservar a relação
Diz o ditado que aquilo que os olhos não vêem
O coração não sente
Mas aquilo que os ouvidos não ouvem
Igualmente não perturbam o coração
As mentiras nos confortam
As omissões também
E assim, todos os dias munidos de tais omissões
Vamos adubando e sustentando as nossas relações
Buscando não ferir quem amamos
Ou será buscando não ferir aqueles que por motivos que desconhecemos
Acreditamos precisar?
Abdico do meu orgulho e ciúme
Pra destituir a monogamia sexual
Pois bem mais perigoso que a tal poligamia
É a tal liberdade de amar
A monogamia pode apenas impedir o corpo de realizar
Praticar o ato carnal
Mas quem é tão fraco a ponto de suportar conviver
Com alguém que com você não mais se emociona?
A monogamia pode impedir a prática do ato carnal
Mas qual insegurança será capaz de controlar, extirpar ou abafar
O sentimento que o coração não consegue não sentir?
Essa tática repressiva filha da insegurança chamado ciúme
Pode até impedir o corpo de realizar
Mas jamais impedirá o coração de sentir, de desejar ou amar outra pessoa
Quem quiser que viva feliz sob as vestes da mentira e omissão
Ou sob o manto negro da repressão, coação e autoritarismo
E até mesmo na confortável ilusão de segurança chamada monogamia
Ou se preferir, por ter muito medo de se arriscar nas práticas do amor
E sofrer as conseqüências talvez ruins
Tais como o abandono ou a traição
E com a traição talvez a comparação
O remédio são as compensações
Para os homens, aluguem muitos filmes pornográficos
E uma ótima masturbação
Para as mulheres
Assistam a muitos romances e novelas
E uma ótima depressão
É bonito, soa poético mas é mentira
Que você foi o único e será sempre o melhor.
TIAGO TAMBURU BRESSAN
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