
Um dia somos pedra
No outro vidraça
Por vezes plantamos poesias
Mas colhemos desgraça
E por falar em desgraça
De graça somente a maldade
Pois nos dias de hoje
Até no reino da inocência
Custa caro a piedade
Um dia salvamos nosso traidor
No outro traímos o nosso irmão
Nessa vida a faca de dois gumes
Corta as duas mãos
Desistimos da bondade que nos isola
Da honestidade que nos marginaliza
E investimos no modelo que nos populariza
E na necessidade quase sempre
Ofertamos a própria mãe
À mão que melhor paga
E com o poder de compra compramos
E apagamos da memória com aparente facilidade
Todo e qualquer traço de iniquidade
O perverso não sente culpa
A culpa é de quem nos ensinou a sentir culpa
O desejo incontrolável atenua a culpa
Pela queda na tentação
E a beleza tentadora justifica a culpa não sentida
A consequência do fracasso espiritual é o deleite carnal
Reprimir pra melhor desejar
Contenção racionalizada antecede o descarrego insano
A melhor forma pra sempre gozar
Será sempre uma dose de culpa ostentar.
TIAGO TAMBURU BRESSAN
Nenhum comentário:
Postar um comentário