domingo, 29 de maio de 2011

DEMASIADAMENTE HUMANO




















Um dia somos pedra
No outro vidraça
Por vezes plantamos poesias
Mas colhemos desgraça

E por falar em desgraça
De graça somente a maldade
Pois nos dias de hoje
Até no reino da inocência
Custa caro a piedade

Um dia salvamos nosso traidor
No outro traímos o nosso irmão
Nessa vida a faca de dois gumes
Corta as duas mãos

Desistimos da bondade que nos isola
Da honestidade que nos marginaliza
E investimos no modelo que nos populariza

E na necessidade quase sempre
Ofertamos a própria mãe
À mão que melhor paga

E com o poder de compra compramos
E apagamos da memória com aparente facilidade
Todo e qualquer traço de iniquidade

O perverso não sente culpa
A culpa é de quem nos ensinou a sentir culpa
O desejo incontrolável atenua a culpa
Pela queda na tentação
E a beleza tentadora justifica a culpa não sentida

A consequência do fracasso espiritual é o deleite carnal
Reprimir pra melhor desejar
Contenção racionalizada antecede o descarrego insano
A melhor forma pra sempre gozar
Será sempre uma dose de culpa ostentar.


TIAGO TAMBURU BRESSAN

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O SUPERFICIAL




















Não aderir, é melhor prevenir

Apenas a superfície tocar.


Não quero ver o que seu corpo esconde

Com astúcia, da cabeça é melhor manter distância

Profundidade pode causar repugnância.


Quero degustar apenas com olhos e dedos,

Quero mascarar, disfarçar meus medos,

Não revelar meus segredos

Na encenação estética desse vai e vem.


E na performance bem elaborada

Dessa cópula narcísica e descartável

Que ostento, pra exibindo-me me esconder

Tento me sustentar na insustentável leveza do ser.



TIAGO TAMBURU BRESSAN