quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

TEATRO SOCIAL






















Na sociedade da “aparência”

Envergonham-se os seres da ”essência”

No jargão que brada:

-Tudo pelo social

O recalque é normal

A doença como conseqüência, é mental


Choramos abafados

Sempre tentando parecer aquilo que não somos

E o que somos?

Somos patéticas criaturas em uma existência trágica

Indecisos no bem

No mal indecisos também

Nunca satisfeitos com aquilo que se tem


Catalépticas criaturas

Assistimos comportados

O passar dos anos

E o sepultamento

Da nossa identidade real

Pela identidade social ou virtual


Nessa morte massacrante de todos os dias

Vamos morrendo a cada dia trabalhado

A cada desejo ignorado

A cada sonho verdadeiro protelado

Perversamente compensado

Por medíocres sonhos de consumo

A cada crediário que abrimos

Damos a prova que perdemos a esperança em nós mesmos


Sem ousar ou contestar

Vamos consumindo entretenimentos idiotas

Pra não enxergarmos a desgraça que nos cerca

Somos covardes, podres, auto-indulgentes

Moralistas sem caráter

Cegos que guiam cegos

Achamos-nos no direito de aconselhar alguém

Pelas quinquilharias acumuladas que tememos perder

Achamos-nos exóticos pelos padrões estéticos e morais que reproduzimos


Culturalmente aprendemos a valorizar o sofrimento

Somos tão fracassados que nos envaidecemos com a dor

A dor e o sofrimento acabam sendo o único valor que temos

E quem poderá abrir mão da única coisa que o dignifica?

Somos não quem queremos ser

Mas apenas quem podemos ser.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

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