Na sociedade da “aparência”
Envergonham-se os seres da ”essência”
No jargão que brada:
-Tudo pelo social
O recalque é normal
A doença como conseqüência, é mental
Choramos abafados
Sempre tentando parecer aquilo que não somos
E o que somos?
Somos patéticas criaturas em uma existência trágica
Indecisos no bem
No mal indecisos também
Nunca satisfeitos com aquilo que se tem
Catalépticas criaturas
Assistimos comportados
O passar dos anos
E o sepultamento
Da nossa identidade real
Pela identidade social ou virtual
Nessa morte massacrante de todos os dias
Vamos morrendo a cada dia trabalhado
A cada desejo ignorado
A cada sonho verdadeiro protelado
Perversamente compensado
Por medíocres sonhos de consumo
A cada crediário que abrimos
Damos a prova que perdemos a esperança em nós mesmos
Sem ousar ou contestar
Vamos consumindo entretenimentos idiotas
Pra não enxergarmos a desgraça que nos cerca
Somos covardes, podres, auto-indulgentes
Moralistas sem caráter
Cegos que guiam cegos
Achamos-nos no direito de aconselhar alguém
Pelas quinquilharias acumuladas que tememos perder
Achamos-nos exóticos pelos padrões estéticos e morais que reproduzimos
Culturalmente aprendemos a valorizar o sofrimento
Somos tão fracassados que nos envaidecemos com a dor
A dor e o sofrimento acabam sendo o único valor que temos
E quem poderá abrir mão da única coisa que o dignifica?
Somos não quem queremos ser
Mas apenas quem podemos ser.
TIAGO TAMBURU BRESSAN