terça-feira, 8 de novembro de 2011

QUEM É VOCÊ?
























Se não te dou afeto eu não te afeto

Se te dou carinho eu te constranjo

Se não faço sexo eu te alivio a culpa

Quem é você que aqui nunca está?

Quem é você que nunca está no mesmo lugar?


Alma fria em um corpo morno

Senhora de si apenas da rua pra fora

Traz nos lábios palavras decoradas

Pra impressionar amigos que já não mais te impressionam


Mas basta eu te deixar

Pra você me procurar

Meu gelo acende o teu fogo

Teu fogo já não me queima como antes

Suas armas sexuais já não são mais fatais

Só sabes demonstrar amor sob pressão

Por vezes vestido de ódio, vingança e incompreensão


Na vida privada tudo entre nós é privado

Não há espaço para a criação, apenas a reprodução

Tudo é decorado e calculado

Tudo segue ritos e às vezes eu quero é gritos

É o psicológico em tempo integral sob pressão


Reconheça-se e menos apareça

Reconheça-se, cresça e desça

Pois teu altar é mera ilusão

Teu amor só é possível no palco

Tua sensualidade é teatral e superficial

Teu sexo é performático

Você ama o desejo, não o amor

Teu prazer está no desconforto, no sofrimento e na dor

Negas, pois se conhece muito pouco


Tua indumentária engana os menos observadores

Veste-se da nudez para compensar a mudez

Que desvenda-lhe a inaptidão intelectual e emocional

Teu orgasmo, teu gozo, não está no outro

Mas na sua própria interpretação.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

VOCÊ ME FEZ VOAR
























A sua solidão reconheceu a minha

As minhas carências reconheceram as suas

Nosso amor deu certo

Porque não tínhamos mais tempo

De não ter tempo para nós mesmos

Nossos espaços estavam ocupados com lixo

Que nos dava a sensação de vazio


Já havíamos nos alimentado

Do sangue de nossas próprias feridas

Por maturidade já havíamos assumido a nossa própria imaturidade

Já prováramos da ingratidão e da incompreensão

Da calúnia, julgamento e indiferença

Tais experiências fizeram a diferença

Fizeram-nos mais humildes

Mais gratos e compreensivos

Mais justos e menos vingativos

Vínhamos sendo preparados por forças ocultas


Eu era independente e desgarrado

A ovelha negra da família

E você não tinha família

Havia perdido o pai amado

Ambos, já havíamos abandonado há tempos muitas ilusões

E nos encontrávamos prontos para a troca

Em um conluio afetivo

Que refletia nos corpos o que vinha crescendo na alma

Era a vida nos preparando para a experiência da troca

Da admiração genuína rumo ao amor sublime

Ao amor que não faz mal

Que não queima nas labaredas do ciúme

O carnal e o espiritual não como forças opostas

Mas sim forças complementares


Procurei você por tantos anos

Por tantos anos senti sua falta

E mesmo antes, muito antes de te-la encontrado

Sentia-me infiel pelas mulheres que te antecediam

E hoje, culpado sinto-me, pelas mulheres que te antecederam

Inteligência advinda da experiência

Eloqüência espontânea do coração

Maturidade espiritual vertendo da alma

Simplicidade mesclada à inocência

Apesar da pouca idade

Desejas apenas o imprescindível


Menina, eu nunca imaginei

Que um dia você seria

A mulher que me fizesse voar

Quatro asas voam juntas

Rumo a um prazer que transcende

A transitoriedade do prazer material


Em nossa relação somos pacientes e terapeutas

Parceiros de cama, de corpos, de almas e vidas

De gostos e gestos

De ideais e confissões


Às vezes sou seu pai

Tens idade pra ser minha filha

Por vezes sinto-te minha mãe

Mas sei que és de fato a minha mulher.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

domingo, 9 de outubro de 2011

UNA GIORNATA PARTICOLARE *
















Algo em mim mudou nessa madrugada

Algo nessa madrugada mudou

De mim em relação a você.


Pela primeira vez senti saudades

E foi pela manhã, logo ao acordar.


Pela primeira vez senti ciúmes

Receio de que se afaste de mim

Medo de aos seus olhos ser “deficiente”

De não ser suficiente

Pros anseios do teu corpo

Pros anseios da tua alma

Pra tua essência de mulher.


Vivi sentimentos ambivalentes

Pois me senti na sua presença

Grande e pequeno

Forte e frágil

Homem e menino.


Foi uma madrugada gostosa

E mesmo não havendo sexo

Houve sexualidade

Houve o toque, o cheiro

Teus desejos e medos expressados

Através do mesmo olhar

Teu calor, tuas confissões

Tua cabeça em meu ombro

Sensações e emoções.


Uma madrugada especial que não esquecerei

Espero que seja a primeira de muitas que virão

De muitas massagens em seus lindos pés

E de muitos beijos por seu corpo todo

Espero poder por mais vezes contemplar, admirar e beijar

O templo sagrado de nosso ingresso ao mundo

Situado em seu corpo.


Mulher, linda e sexy

Mas também menina

Engraçada e “intensa”

Tua língua me acende

Suas contraditórias encanações

Suas descobertas reveladas

Zonas erógenas ativadas.


Se tocar sua cintura me excita e conforta

Sua alma, juntos, desejo vasculhar

E, além disso, também amar e respeitar

Tudo aquilo que viermos dela acessar.


E você conseguiu enxergar em mim algo que nunca ninguém enxergou

E se enxergaram por algum motivo se calaram

E você me disse, se referiu a isso com muito respeito.


E por isso hoje, mais que ontem eu te respeito

Obrigado pela intimidade

Chorei ao recordar o que senti nessa madrugada ao teu lado

Com algumas lágrimas vertidas molhando minha folha

Termino estas palavras

E grato por ter recebido um presente que o dinheiro não compra:


“As coisas mais belas são os desejos secretos de uma mulher.”



TIAGO TAMBURU BRESSAN

terça-feira, 20 de setembro de 2011

MEDO DA SOLIDÃO

















Vem agora e diz que sempre me amou?

Agora que estamos velhos?

Queria ter desfrutado do seu frescor juvenil

Quando eu ainda era jovem e você ainda bela


Agora temos que nos unir por medo

E não por paixão

E é por isso que suspeito que se hoje me quer

É apenas porque soube que um dia eu a quis

Assim sendo, aceitando-te realizaria hoje um desejo seu

Tendo você no passado, não realizado o meu

E o meu maior desejo tinha nome... O seu


Agora é tarde pra você expor com tanta facilidade tanta fragilidade

O intelecto senil hoje importa mais que o corpo juvenil

E se quando jovem negaste-me tua juventude

Hoje velho nego-te meu intelecto

Nego-te também minha paz.


TIAGO TAMBURU BRESSAN

terça-feira, 23 de agosto de 2011

AS CONTRADIÇÕES DE UMA SUPOSTA RELAÇÃO AMOROSA













Não há mais nada que eu possa fazer

A não ser lamentar por você

Lamentar sua escolha

O seu jogo de azar


Não há mais nada que eu possa fazer

A não ser lamentar

Carregar esse pesar

Por tudo aquilo que não consegui fazer

Por tudo aquilo que não pude ser

E que apesar de tudo

De tudo tentei

Errei, ao tentar te mudar


Será que me faltou conteúdo na hora de dar?

Ou será que te faltou conteúdo na hora de receber?

Pois se dinheiro me faltou

Não me faltaram carinho e desejo

Amor e paixão


Compaixão e compreensão

Dedicação e respeito

Dentro do meu peito

Em pouco tempo fez-se nação


Apesar da tua ingratidão, calúnia e maldição

Agradeço o que foi vivido

E também ao que não chegou a ser construído

Agradeço, sobretudo por não ter tido um filho seu


E pra preservar minha alma

Eu me afasto da tua insanidade

E em respeito à tua liberdade

Eu me desapego dos meus desejos carnais

Renuncio aos meus caprichos pessoais

Pra deixar você crescer

Pra deixar você em paz

No inferno eterno

Onde tua alma desde o nascimento

Em constante sofrimento jaz


Eu saio de cena e deixo de intervir

Eu me retiro do seu raio de visão

Pra que com mérito próprio encontre a própria solução


O tempo breve que passamos quase juntos

Em breve serão apagados

Outros virão, novas rotas surgirão

Novas estórias serão escritas

E um dia nos reencontraremos

E nos cumprimentaremos com educação

Mas sem a mesma emoção de outrora

Ilusão de um passado distante

Hoje, insignificante recordação

Nesse dia teremos a sensação correta ou não

De que tudo o que sentimos

Traduz-se hoje em uma enorme bobagem

Uma tola invenção

Que na época criamos pra nos divertir


Eu estou terminando agora com você

Sentindo que te amo

E você teimando em permanecer

Sabendo que não me ama.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

quarta-feira, 27 de julho de 2011

LUZES NA ESCURIDÃO

















Meu organismo começa a se auto-destruir

Não há mais nada que possa ser feito

Nem a ciência com seu conhecimento acumulado

Muito menos a religião com sua auto sugestão


Seja ELA uma viagem para a eternidade

Ou ao nada absoluto, ao vazio eterno

Só sei que quero comtemplar-te

Tocar-lhe o físico

Enquanto ainda vivo, vive o meu


Das poucas certezas que há na vida

Além DELA, só sei que quero o meu corpo no seu

Usei-o tão pouco pela culpa incutida

Que agora, nesta hora tão temida

Faço as pazes com o prazer


Tudo aquilo que em décadas não fiz

Em poucos dias quero fazer

Tudo aquilo que não vivi por anos

Quero viver agora e intensamente


Quero agora

Tudo o que não foi sentido

Tudo o que não foi dito

Tudo o que foi reprimido

É preciso acertar as contas com a própria consciência

Pois não há desejo que possa ser prorrogado

Ou sentimento que possa ser ocultado

Nessa hora a vida é intensa

Quero ter um filho teu

E quem sabe eu, se tempo eu tiver

Ver-te o rebento conceber

Também quero dar e receber

Todas aquelas coisas que o dinheiro não compra


Quando ELA se aproxima

Ela nos ensina

Quão inúteis são nossos mundanos conceitos

Palavras, técnicas, teorias e preconceitos

ELA destrói tudo pra nos expor

Mostrar a realidade de quem somos a nós mesmos


Por isso hoje, desnudado

Eu só sei que quero

Desfrutar do prazer com você

O tempo passa e eu não posso mais ficar pensando

No que não pensar

Pensei a vida inteira em controlar meus pensamentos

Moralizar meus sentimentos

Tantos escudos teóricos criei pra esconder meus medos

Tardiamente é hora de sentir

Eu me quero como eu nunca quis

Eu te quero como sempre quis

Fodam-se os críticos e o autocrítico

É hora da paixão e do prazer

Do amor e da paz

Até que ELA nos separe.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A MONOGAMIA E A LIBERDADE DE AMAR















Você diz que me ama

Mas sei que outro você deseja em nossa cama

Não te repreendo

Na verdade te compreendo

Isso não é absurdo

É mais que normal

E eu só preciso saber

Se por mim desejo ainda nutre


A traição fere menos que a rejeição

E esse jogo de omissão

Serve apenas pra preservar a relação


Diz o ditado que aquilo que os olhos não vêem

O coração não sente

Mas aquilo que os ouvidos não ouvem

Igualmente não perturbam o coração

As mentiras nos confortam

As omissões também

E assim, todos os dias munidos de tais omissões

Vamos adubando e sustentando as nossas relações

Buscando não ferir quem amamos

Ou será buscando não ferir aqueles que por motivos que desconhecemos

Acreditamos precisar?


Abdico do meu orgulho e ciúme

Pra destituir a monogamia sexual

Pois bem mais perigoso que a tal poligamia

É a tal liberdade de amar


A monogamia pode apenas impedir o corpo de realizar

Praticar o ato carnal

Mas quem é tão fraco a ponto de suportar conviver

Com alguém que com você não mais se emociona?

A monogamia pode impedir a prática do ato carnal

Mas qual insegurança será capaz de controlar, extirpar ou abafar

O sentimento que o coração não consegue não sentir?

Essa tática repressiva filha da insegurança chamado ciúme

Pode até impedir o corpo de realizar

Mas jamais impedirá o coração de sentir, de desejar ou amar outra pessoa


Quem quiser que viva feliz sob as vestes da mentira e omissão

Ou sob o manto negro da repressão, coação e autoritarismo

E até mesmo na confortável ilusão de segurança chamada monogamia

Ou se preferir, por ter muito medo de se arriscar nas práticas do amor

E sofrer as conseqüências talvez ruins

Tais como o abandono ou a traição

E com a traição talvez a comparação


O remédio são as compensações

Para os homens, aluguem muitos filmes pornográficos

E uma ótima masturbação

Para as mulheres

Assistam a muitos romances e novelas

E uma ótima depressão


É bonito, soa poético mas é mentira

Que você foi o único e será sempre o melhor.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

domingo, 19 de junho de 2011

BONECA DE PANO











Trocou a sagrada liberdade

Por jóias profanas

Vendeu o prazer para obter segurança

Quando começou a temer o risco

Perdeu-se com ele a esperança


A acomodação acomodou-se e instalou-se como parasita

O ideal de aprendizado

Foi substituído pelo de conforto


Trocou as paixões pela reputação

O medo fóbico de ser puta

A fez escrava não só da falsa moralidade

Mas também da ilusão


Fantoche de um magnata

Reduz a própria existência

Transformando-a em mero objeto de arquitetura e decoração

E a fragilidade da adolescência se faz notar

Nas escolhas que agora faz

Trocou as belas asas

Por uma gaiola de ouro


A insegurança a fez buscar a técnica

A técnica venceu a improvisação e a espontaneidade

Perdeu a própria alma pelos shoppings que frequenta

E a auto - estima pelos amores que por medo não viveu

Sem que saiba, negou a própria humanidade

Deixou de ser mulher de carne

Pra tornar-se boneca de pano.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

domingo, 29 de maio de 2011

DEMASIADAMENTE HUMANO




















Um dia somos pedra
No outro vidraça
Por vezes plantamos poesias
Mas colhemos desgraça

E por falar em desgraça
De graça somente a maldade
Pois nos dias de hoje
Até no reino da inocência
Custa caro a piedade

Um dia salvamos nosso traidor
No outro traímos o nosso irmão
Nessa vida a faca de dois gumes
Corta as duas mãos

Desistimos da bondade que nos isola
Da honestidade que nos marginaliza
E investimos no modelo que nos populariza

E na necessidade quase sempre
Ofertamos a própria mãe
À mão que melhor paga

E com o poder de compra compramos
E apagamos da memória com aparente facilidade
Todo e qualquer traço de iniquidade

O perverso não sente culpa
A culpa é de quem nos ensinou a sentir culpa
O desejo incontrolável atenua a culpa
Pela queda na tentação
E a beleza tentadora justifica a culpa não sentida

A consequência do fracasso espiritual é o deleite carnal
Reprimir pra melhor desejar
Contenção racionalizada antecede o descarrego insano
A melhor forma pra sempre gozar
Será sempre uma dose de culpa ostentar.


TIAGO TAMBURU BRESSAN

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O SUPERFICIAL




















Não aderir, é melhor prevenir

Apenas a superfície tocar.


Não quero ver o que seu corpo esconde

Com astúcia, da cabeça é melhor manter distância

Profundidade pode causar repugnância.


Quero degustar apenas com olhos e dedos,

Quero mascarar, disfarçar meus medos,

Não revelar meus segredos

Na encenação estética desse vai e vem.


E na performance bem elaborada

Dessa cópula narcísica e descartável

Que ostento, pra exibindo-me me esconder

Tento me sustentar na insustentável leveza do ser.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

quinta-feira, 14 de abril de 2011

NEUTRALIDADE?




















De você não sinto ódio, muito menos amor

Nem pena eu sinto, e nem por isso torço contra você

Eu apenas não me preocupo mais com você

Eu apenas não penso mais em você como antes

E não fui eu quem fez isso, mas sim você

E fez com seu jeito de ser... Ou melhor, de não ser.

Apenas sinto muito

Por ter pouco o que fazer

Ser importante pra alguém

Deve-se querer ser

E assim sendo, se pra mim não se importou em ser importante

É porque não fui importante pra você.

E por isso eu digo:

-Eu não odeio quem me odeia

Mas só gosto de quem gosta de mim!



TIAGO TAMBURU BRESSAN

segunda-feira, 7 de março de 2011

O FEL DE UMA DAMA



















Você se foi

Levando contigo os meus segredos

Apontando os meus defeitos

Não satisfazendo os meus desejos


Tirou minhas máscaras

E nada colocou no lugar

E de você eu nada sei

A não ser o que não és

A não ser o que nunca serás

A não ser aquilo que sempre foi

E aquilo que sempre serás


Você se foi

E comigo me deixou a solidão

Cravou-me as marcas da decepção

Uma estranha sensação

Misto de liberdade e prisão

Que agora experimento

Como conseqüência do meu otimismo e teimosia

Seqüelas da carência e fantasia

Pulsões de um ambicioso coração


Da solidão eu tenho medo

Ela potencializa meu lado promíscuo

Que combato em mim

Para que dele não seja escravo

Como fui de ti


E foi por isso que a ti tanto desejei

Pra fugir da promiscuidade

A ti eu me entreguei


Entreguei-me enquanto me usava

Amei-te enquanto me analisava

Dei-te afeto e você ingratidão

Dei-te minha casa e você a traição


Pra ter-te rompi com meus códigos morais

Enfrentei preconceitos sociais

Ofertei as duas faces pro teu escarro

E você retribuiu com a incompreensão

Pois bem, demonstraste tua limitação

A tua parca evolução


Nesse desastre no qual tentei salvar nossas vidas

Enquanto eu fui sincero

Você foi cruel

Enquanto eu te dava

Você me tirava

Enquanto eu te nutria

Você me sugava

Eu compartilhava e você tramava


Dei-te carinho, amor, amizade e respeito

Tolerância e compreensão

Tentei te dar dignidade

Mas foi em vão


Coloquei um futuro em seu caminho

Mas você não se desfez do seu passado

Tratei-te como mulher

Mas você não se sente uma


Enquanto eu tentava amar seus defeitos

Enquanto eu me esforçava

Pra que essa empresa chamada nós progredisse

Você a ridicularizava e a desmerecia

Zombava do meu esforço

Do meu carinho por ti

Você é mulher pra se divertir

Dá valor apenas pra quem quer te possuir


Volta pro teu lodo

Pras entranhas da própria podridão

Sua alma não tem resgate

A morte é sua salvação


Volta pras ruas

Pras suas amizades marginais

Volta pra escória de onde nasceu

Com os ratos com o qual cresceu

Teu cigarro e teu álcool suas companhias

Os únicos amigos seus


Faz da tua vida mesquinha teu lema

Teu obscuro poema

Retorna pro teu mundo bizarro

Cultiva aquilo que cativas

Em seu jardim de árvores secas

E de chuva ácida

Sua alma de plástico fede

Por carregar morto

Um podre coração


No teu universo bizarro e contraditório

Brinca com os sentimentos alheios

Pisa e maltrata os que te amam

Idolatra os que te odeiam

Continua cega e rancorosa

Sozinha e instável

Amarga e pária

Em um corpo semi envelhecido

Seu sustento por enquanto ainda garantido


És preguiçosa, fútil e inútil

Volta pro teu esgoto

E se quiser ser mãe

Se recicle pra não envergonhar seu filho

Com a imundície das suas camas


Acreditando ser feliz no seu mesquinho mundo artificial

No seu caso em especial

Não é aquilo que fazes que torna-te o que és

Mas, o que fazes, é apenas conseqüência daquilo que és.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

ARGENTINA












Adorei te conhecer

Te conheci por acaso


O sol da tua flâmula

Tem o calor da tua alma

O azul predominante em sua bandeira

Tem a cor do seu olhar

O branco que estampa tua flâmula

Reflete tua paz

E tua paz reflete a minha


Quem te conhece não te esquece

De você, quem se despede

Tão logo quer voltar


Ignorarei fronteiras e divisas

E desbravarei seu território

De solo rico e fértil

Que muito desejo absorver.


Extrair o riso e o sorriso

O prazer amigo e receptivo

Que me reserva "Buenos Aires"!



TIAGO TAMBURU BRESSAN

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

TEATRO SOCIAL






















Na sociedade da “aparência”

Envergonham-se os seres da ”essência”

No jargão que brada:

-Tudo pelo social

O recalque é normal

A doença como conseqüência, é mental


Choramos abafados

Sempre tentando parecer aquilo que não somos

E o que somos?

Somos patéticas criaturas em uma existência trágica

Indecisos no bem

No mal indecisos também

Nunca satisfeitos com aquilo que se tem


Catalépticas criaturas

Assistimos comportados

O passar dos anos

E o sepultamento

Da nossa identidade real

Pela identidade social ou virtual


Nessa morte massacrante de todos os dias

Vamos morrendo a cada dia trabalhado

A cada desejo ignorado

A cada sonho verdadeiro protelado

Perversamente compensado

Por medíocres sonhos de consumo

A cada crediário que abrimos

Damos a prova que perdemos a esperança em nós mesmos


Sem ousar ou contestar

Vamos consumindo entretenimentos idiotas

Pra não enxergarmos a desgraça que nos cerca

Somos covardes, podres, auto-indulgentes

Moralistas sem caráter

Cegos que guiam cegos

Achamos-nos no direito de aconselhar alguém

Pelas quinquilharias acumuladas que tememos perder

Achamos-nos exóticos pelos padrões estéticos e morais que reproduzimos


Culturalmente aprendemos a valorizar o sofrimento

Somos tão fracassados que nos envaidecemos com a dor

A dor e o sofrimento acabam sendo o único valor que temos

E quem poderá abrir mão da única coisa que o dignifica?

Somos não quem queremos ser

Mas apenas quem podemos ser.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

BATA E CORRA




















Quem tem vantagem que bata

Quem está em desvantagem que corra

Mais vale um covarde vivo

Que um corajoso morto

Afinal não existe ninguém corajoso

O que existe é situação favorável


Evite a briga

Mas se não for possível

Pra se defender

O melhor é surpreender


Bata forte e de preferência pelas costas

Evite a reação do inimigo

Seja traiçoeiro

Ganhe uns segundos

E comece a correr


Se souberes ou não brigar

Evite a briga

E se não puder

Se o inimigo está obstinado

Não discuta nem acalente a disputa

Não tente bater ou vencer

Não entre no jogo dele

Mate ao invés de morrer


Se o inimigo é mais forte

Se o corpo dele é maior que o seu

Ou se ele domina técnicas

Que você desconhece

Use soco inglês ou canivete

Corrente, pedra ou pau


Não se culpe com isso

Se por isso tacharem-te de covarde

O que importa nessa hora

É tornar as forças equivalentes

Pois se ele possui armas naturais

Que você não possui

E ele disso se aproveita pra te oprimir

Fica a dica:

Recorra você às artificiais


E você sendo menos qualificado para a luta

Não faça ameaças

Nem promessas

Tente o acordo pacífico

Mas se tiver que escolher entre as duas

Escolha a promessa

Mas lembre-se...

Promessa se cumpre

Opte pela paz, pela vida

Não tire a vida de ninguém

Desde que ninguém opte por tirar a sua também.




TIAGO TAMBURU BRESSAN