sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O CONTO DO SÁBIO CHINÊS















Era uma vez um sábio chinês
Que um dia sonhou que era uma borboleta
Voando nos campos, pousando nas flores
Vivendo assim um lindo sonho
Até que um dia acordou
E pro resto da vida uma dúvida lhe acompanhou:
Se ele era um sábio chinês
Que sonhou que era uma borboleta
Ou se era uma borboleta
Sonhando que era um sábio chinês.


(RAUL SEIXAS)

domingo, 5 de dezembro de 2010

A ALMA É FRACA





















O que o corpo quer

A alma também quer

Mas nem sempre o corpo obedece

Nem sempre o corpo realiza

O que a alma idealiza


Muitas vezes o corpo reprime

Aquilo que a alma mais deseja

O corpo por instinto de preservação reduz

Aquilo que na alma cresce

E por isso, por vezes adoece e perece


E é por isso que faço as pazes com teu corpo

Pois pra garantir meu equilíbrio

Precisei romper com meus códigos morais

E pra restaurar minha agressividade

Foi preciso um pouco de promiscuidade

De sujeira em meus canais


Sem um corpo não vivo

Apenas existo

E por isso que não resisto

Insisto em permanecer com você

Confortando-me como homem

Embrutecendo-me como ser


Teu corpo apenas existindo

Pra satisfazer o meu

Não respeito minha alma

Ficando assim ao lado seu.



TIAGO TAMBURU BRESSAN