quarta-feira, 18 de agosto de 2010

SOMATIZAÇÃO




















Meu corpo é uma garrafa

Meu coração

Em união com minha mente

É minha alma

Minha alma é o gênio

Eu sou o gênio da lâmpada

Um gênio preso, espremido e comprimido.

Esperando que alguém bom me encontre

Que um bom ser me liberte

Esse alguém é a morte

Mas eu posso me libertar

Mas não faço

Mas de que adianta eu não me libertar?

Se a garrafa já começa a trincar?




TIAGO TAMBURU BRESSAN

domingo, 8 de agosto de 2010

VIOLÊNCIA

















Nesses momentos minha alma clama

Por uma caneta e um pequeno pedaço de papel

Na verdade minha alma clama por liberdade e devassidão

Meus desejos me fazem vilão

Na arena da vida

Meu maior inimigo sou eu

E quanto mais eu me conheço

Menos me reconheço no direito de julgar

Pois sempre acabo fazendo aquilo que nos outros critico

Sempre acabo me tornando aquilo que nos outros detesto

A cada dia estou me transformando naquilo que persigo

Naquilo que condeno

Porque persigo?

Porque condeno?

Será inveja por se permitirem fazer tudo aquilo que não tenho coragem?

Tenho medo

Tenho é medo de gostar daquilo que julgo deplorável

É melhor me tornar inimigo declarado

Daquilo que temo, daquilo que admiro

É melhor me afastar ao invés de tentar entender

Todo homem tem um preço

Seja homem ou mulher

E eu preciso apenas de uma oportunidade

Pra provar que não sou bom

Mas traiçoeiro vingativo e cruel

Minha violência não verte sangue

Não produz hematomas

Mas verte lágrimas

Lágrimas de sangue

Minha vingança produz traumas

Minha vingança é eufemista

Provoco feridas que medicamentos não podem curar

Minha crueldade é sutil

Mais afiada que baioneta de fuzil

Mas apesar de tudo

Contenho minha violência para o mundo externo

Violento-me para não produzir violência nos outros

Preciso de religião pra não saber quem sou

Preciso de uma doutrina de medo

Para refrear meus instintos

Conter meus impulsos

Hoje minha violência sublimada

Tem o nome de sarcasmo

Minha espada é minha ironia

Criei uma filosofia que me dá segurança

Onde a contenção é minha alegria.

Disfarço hoje o meu preconceito

Sob o nome de moral.



TIAGO TAMBURU BRESSAN