
Na adolescência nunca fui desejado
Nunca me senti atraente
Dentre os mil complexos
Psicológicos e físicos que me angustiavam
Todos me tornavam inseguro e incapaz
Na arte de seduzir uma mulher
Mulheres... Objecto do meu desejo
Desejo que não foi satisfeito
Até que me tornasse uma
Pra preencher essa lacuna
Tornei-me a mulher que desejava
Tanto nos aspectos físicos
Quanto nos psicológicos
Tornei-me hoje
A bela que sempre quis ter
Tornei-me a fêmea idealizada
Psicológica e fisicamente construída
Fêmea que vislumbro perante o espelho
Diante do qual de forma distorcida
E pouco compreendida
Afirmo minha masculinidade
Habitando um corpo de mulher
Ensaio meus gestos
Busco em desempenho sexual
Representar imaginariamente
O papel que sempre esperei de uma mulher
Mulher real que não tive coragem de encarar
No deserto solitário
De nunca ser desejado...
De feio à bela...
Da invisibilidade ao brilho...
De um canto qualquer para o centro das atenções
Os hormônios me trouxeram auto-estima
Silicones elevaram – me a moral
Eu quero ser fêmea fatal
Mas quero continuar activa
Não quero ser fisicamente mutilada
Nem psicologicamente castrada pela "espada social"
Quero permanecer por gratidão
Com o sexo de Adão
Em homenagem à espada da mulher que mais amava
Pois sem sua espada
Sem seu “animus”
Eu nunca teria existido
Jamais teria sido criada
Muito menos educada
E principalmente, saber o que é ser amada
Em respeito ao respeito desta “mulher soldado” por mim
Eu levo a minha vida não na iniquidade
Mas sim com paz, amor e muita dignidade.
TIAGO TAMBURU BRESSAN
