sábado, 20 de novembro de 2010

CORPO DE EVA, SEXO DE ADÃO




















Na adolescência nunca fui desejado

Nunca me senti atraente


Dentre os mil complexos

Psicológicos e físicos que me angustiavam

Todos me tornavam inseguro e incapaz

Na arte de seduzir uma mulher


Mulheres... Objecto do meu desejo

Desejo que não foi satisfeito

Até que me tornasse uma


Pra preencher essa lacuna

Tornei-me a mulher que desejava

Tanto nos aspectos físicos

Quanto nos psicológicos

Tornei-me hoje

A bela que sempre quis ter


Tornei-me a fêmea idealizada

Psicológica e fisicamente construída

Fêmea que vislumbro perante o espelho

Diante do qual de forma distorcida

E pouco compreendida

Afirmo minha masculinidade

Habitando um corpo de mulher


Ensaio meus gestos

Busco em desempenho sexual

Representar imaginariamente

O papel que sempre esperei de uma mulher

Mulher real que não tive coragem de encarar


No deserto solitário

De nunca ser desejado...

De feio à bela...

Da invisibilidade ao brilho...

De um canto qualquer para o centro das atenções


Os hormônios me trouxeram auto-estima

Silicones elevaram – me a moral

Eu quero ser fêmea fatal

Mas quero continuar activa

Não quero ser fisicamente mutilada

Nem psicologicamente castrada pela "espada social"


Quero permanecer por gratidão

Com o sexo de Adão

Em homenagem à espada da mulher que mais amava


Pois sem sua espada

Sem seu “animus

Eu nunca teria existido

Jamais teria sido criada

Muito menos educada

E principalmente, saber o que é ser amada


Em respeito ao respeito desta “mulher soldado” por mim

Eu levo a minha vida não na iniquidade

Mas sim com paz, amor e muita dignidade.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

CONSUMIDORES

























O que mais tem nesse mundo são corpos
Corpos que parecem gente
Gente disfarçada de gente
Gente disfarçada de crente
Gente disfarçada de marcas
Gente disfarçada de corporações e instituições
Gente disfarçada de coisas
De coisas que compram gente
Gente que não entende gente
Gente igual a gente
Gente que parece ser mais gente
Parece... mas não é
Perece... mas não parece
Então criamos coisas que nos diferenciem
Que nos iludam de que tais coisas
Tornem-nos diferentes, portanto, melhores
Daquilo que somos parecidos
É o medo inconsciente da morte
Morte que te mata em meio à sorte
Realidade angustiante
Que te coloca sempre na condição de principiante
Órfãos de realidade
São consumidores de ilusão
Se você não for adulto
As coisas que você possui
Acabam possuindo você
Cuidado com as coisas que você não deseje possuir
Essas ideias também podem te aprisionar
Quais são os seus desejos?
Quais são seus medos?
Quais são seus disfarces?
Todos somos consumidores
Mas você a qual categoria pertence?


TIAGO TAMBURU BRESSAN