quinta-feira, 21 de outubro de 2010

MULHER DE NEGÓCIOS















Você, trabalhando no serviço secreto

Com dupla identidade

Eu investigando, insistindo e buscando

Minha fantasia de amor bandido realizei

E paguei caro pela tua lealdade

O juro foi alto

Pra receber de você fidelidade

Pois é sincera apenas quando lhe convém

E pra aparecer

Sempre tenta dar o que não tem


Tem nos olhos o cifrão

Diz-se sensível

Mas torna os outros invisíveis

A frieza como ostentação

É a fera que domina o teu coração


Diz-se emotiva

Mas é movida pela ambição

Vende suas mentiras

À custa da própria beleza

Explora enquanto se deixa explorar

Mas isso é o que resta

Pra quem sabe apenas negociar

Explora se deixando explorar

Pois nada mais resta

Pra quem não sabe amar

Seus dias estão contados

Contando as contas que tem a pagar


Mulher de negócios

Procurando seus sócios

Trabalhando com a repetição

Teu escritório é um quarto

Tua escrivaninha um sujo colchão


Lucrando com a alheia solidão

Passa o dia contando dinheiro

Tentando com ele compensar

O medo e o vazio que habita o teu coração


Durante o dia combate com o verbo o sistema

À noite com o corpo a ele se entrega

Vivendo mergulhada num mar de contradição


És bela... A bela da tarde

E da noite também

Nunca se apegando a ninguém

Pois não consegue dar, de fato, afeto

De fato, aquilo que não se tem

Não se pode doar


Garota propaganda em tempo integral

Tempo é dinheiro

Teu lucro cava o teu sepulcro

Pagará com ele a conta do teu funeral.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

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