
Você, trabalhando no serviço secreto
Com dupla identidade
Eu investigando, insistindo e buscando
Minha fantasia de amor bandido realizei
E paguei caro pela tua lealdade
O juro foi alto
Pra receber de você fidelidade
Pois é sincera apenas quando lhe convém
E pra aparecer
Sempre tenta dar o que não tem
Tem nos olhos o cifrão
Diz-se sensível
Mas torna os outros invisíveis
A frieza como ostentação
É a fera que domina o teu coração
Diz-se emotiva
Mas é movida pela ambição
Vende suas mentiras
À custa da própria beleza
Explora enquanto se deixa explorar
Mas isso é o que resta
Pra quem sabe apenas negociar
Explora se deixando explorar
Pois nada mais resta
Pra quem não sabe amar
Seus dias estão contados
Contando as contas que tem a pagar
Mulher de negócios
Procurando seus sócios
Trabalhando com a repetição
Teu escritório é um quarto
Tua escrivaninha um sujo colchão
Lucrando com a alheia solidão
Passa o dia contando dinheiro
Tentando com ele compensar
O medo e o vazio que habita o teu coração
Durante o dia combate com o verbo o sistema
À noite com o corpo a ele se entrega
Vivendo mergulhada num mar de contradição
És bela... A bela da tarde
E da noite também
Nunca se apegando a ninguém
Pois não consegue dar, de fato, afeto
De fato, aquilo que não se tem
Não se pode doar
Garota propaganda em tempo integral
Tempo é dinheiro
Teu lucro cava o teu sepulcro
Pagará com ele a conta do teu funeral.
TIAGO TAMBURU BRESSAN