Quer saber o que quero?
Destrua o mundo
E novamente ponha-o de pé
Você quer me agradar?
Dando-me um pouco daquilo que gosto?
Daquilo que valorizo?
Viaje então em suas reminiscências
Penetre o vazio
A escuridão que te habita
Ascesse as dúvidas, as incertezas
E as ilusões que te deformam.
Queime sua identidade secreta
Viole seus códigos morais
Viaje no tempo
Se apodere de seus fragmentos
Aceite suas dores
Sinta o medo
Que se apodera de ti
E da auto-imagem
Que dessa experiência advém.
Vizualize-se e sinta-se
Sinta o cheiro da carne crua
Do enxofre do inferno
Do cadáver dissecado
Da podridão da morte
Mas também das rosas.
Ouça as poesias a muito negadas
Há tempos relegadas
Ao porão escuro do inconsciente
Submeta-se, destrua-se
Divirta-se, reconstrua-se
E volte pra mim
Como um ser real, plural
Sem machismos ou feminismos
Caminhando sozinha, de pé.
Que o meu sadismo
Tenha conseguido destruir o seu masoquismo
Objeto e sujeito
Rumo à unificação.
Volte pra mim
Não moldada, mas amadurecida
Um ser de possibilidades infinitas.
Sim, é assim que quero
Desde que você queira
Pois é assim que sinto
É assim que amo:
Olhando-me no espelho
Apreciando-me através do trabalho realizado
Na mente de outro ser
Tudo para obter seu corpo
Tudo em nome do prazer.
TIAGO TAMBURU BRESSAN
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