terça-feira, 13 de julho de 2010

FRAGMENTO














Quer saber o que quero?

Destrua o mundo

E novamente ponha-o de pé

Você quer me agradar?

Dando-me um pouco daquilo que gosto?

Daquilo que valorizo?

Viaje então em suas reminiscências

Penetre o vazio

A escuridão que te habita

Ascesse as dúvidas, as incertezas

E as ilusões que te deformam.

Queime sua identidade secreta

Viole seus códigos morais

Viaje no tempo

Se apodere de seus fragmentos

Aceite suas dores

Sinta o medo

Que se apodera de ti

E da auto-imagem

Que dessa experiência advém.

Vizualize-se e sinta-se

Sinta o cheiro da carne crua

Do enxofre do inferno

Do cadáver dissecado

Da podridão da morte

Mas também das rosas.

Ouça as poesias a muito negadas

Há tempos relegadas

Ao porão escuro do inconsciente

Submeta-se, destrua-se

Divirta-se, reconstrua-se

E volte pra mim

Como um ser real, plural

Sem machismos ou feminismos

Caminhando sozinha, de pé.

Que o meu sadismo

Tenha conseguido destruir o seu masoquismo

Objeto e sujeito

Rumo à unificação.

Volte pra mim

Não moldada, mas amadurecida

Um ser de possibilidades infinitas.

Sim, é assim que quero

Desde que você queira

Pois é assim que sinto

É assim que amo:

Olhando-me no espelho

Apreciando-me através do trabalho realizado

Na mente de outro ser

Tudo para obter seu corpo

Tudo em nome do prazer.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

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