
Adoro dormir
Pois quando durmo
Por algumas horas
Deixo de existir
Por algumas horas
Não penso em desistir
De tudo aquilo que não me propus a viver.
Nessas horas de inconsciência
Não sei quem sou
Não sinto culpa
Nem coagido pelo próprio ego
A pedir desculpa.
Quando estou ausente
Não me sinto culpado
De não sentir culpa
Nem pressionado a ser
O que os outros esperam de mim.
Esse sono sagrado de todos os dias
É uma das possíveis mortes existentes.
Sinto-me livre
Ao desfrutar da tua companhia
No aconchego do teu não saber
Na paz da tua não exigência.
Sono que amo
É você a melodia do meu piano
O herói que me salva da realidade
Dos perigos do conhecer
E das escolhas que tenho que fazer
Mas você é apenas minha droga
Que me abandona em todo amanhecer.
Você é apenas um anjo
Que nos prepara para encontrar
Com a nossa grande e poderosa mãe
Aquela que derrota os fortes e os fracos
Destrói os humildes e arrogantes
Também os cultos e ignorantes.
Espero-te essa noite
Sozinho em meu quarto
Pra que me mostre mais uma vez
Essa pequena fracção
Do que talvez seja a eternidade.
TIAGO TAMBURU BRESSAN