domingo, 23 de maio de 2010

O PRAZER DE NÃO SER

























Adoro dormir

Pois quando durmo

Por algumas horas

Deixo de existir

Por algumas horas

Não penso em desistir

De tudo aquilo que não me propus a viver.

Nessas horas de inconsciência

Não sei quem sou

Não sinto culpa

Nem coagido pelo próprio ego

A pedir desculpa.

Quando estou ausente

Não me sinto culpado

De não sentir culpa

Nem pressionado a ser

O que os outros esperam de mim.

Esse sono sagrado de todos os dias

É uma das possíveis mortes existentes.

Sinto-me livre

Ao desfrutar da tua companhia

No aconchego do teu não saber

Na paz da tua não exigência.

Sono que amo

É você a melodia do meu piano

O herói que me salva da realidade

Dos perigos do conhecer

E das escolhas que tenho que fazer

Mas você é apenas minha droga

Que me abandona em todo amanhecer.

Você é apenas um anjo

Que nos prepara para encontrar

Com a nossa grande e poderosa mãe

Aquela que derrota os fortes e os fracos

Destrói os humildes e arrogantes

Também os cultos e ignorantes.

Espero-te essa noite

Sozinho em meu quarto

Pra que me mostre mais uma vez

Essa pequena fracção

Do que talvez seja a eternidade.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

domingo, 9 de maio de 2010

VENCI MEUS RIVAIS

























Venci meus rivais

Em uma batalha justa

Entrei como um dos últimos

Na arena inóspita do seu coração

Mas se hoje sou o primeiro

Foi porque soube esperar

Não há guerra perdida

Há vontade de lutar

A beleza de vencer

Está na arte de saber esperar

Ataques, defesas

Sinceridade e simulação

São ferramentas de um jogo

Depende da ocasião

Sofrer faz parte do jogo

Sentimento ambivalente

O sofrimento que te faz crescer

É o mesmo que te faz estagnar

Ferir e ser ferido

Também ferir-se

Expressar-se, conter-se, disciplinar-se

Se quiser vencer

Aprenda a esperar.



TIAGO TAMBURU BRESSAN