quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

ORFÃO CARENTE

























Primeiro eu desejei mamãe

Depois eu desejei papai

Pra só depois desejar minha irmã

Saí de casa na ânsia de encontrar meu par

Achei ter encontrado em uma mulher

E de fato desejei minha mulher

Apenas até minha filha nascer

Tudo está acabado

Por permanecer incompleto

Eu sou invisível

Meu peso é zero

Eu continuo invisível

Sem que eles saibam

Pois continuo sendo o bom pai

O bom filho, o bom marido

O grande irmão

E eu continuo sozinho, sem lar

Na mais completa solidão

Não, eu não me tornei o “Novo Édipo”

Pelo menos na prática.

Pelo menos até hoje, ainda não.



(Texto complementar da postagem de setembro/2009, O Novo Édipo).



TIAGO TAMBURU BRESSAN