sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O CONTO DO SÁBIO CHINÊS















Era uma vez um sábio chinês
Que um dia sonhou que era uma borboleta
Voando nos campos, pousando nas flores
Vivendo assim um lindo sonho
Até que um dia acordou
E pro resto da vida uma dúvida lhe acompanhou:
Se ele era um sábio chinês
Que sonhou que era uma borboleta
Ou se era uma borboleta
Sonhando que era um sábio chinês.


(RAUL SEIXAS)

domingo, 5 de dezembro de 2010

A ALMA É FRACA





















O que o corpo quer

A alma também quer

Mas nem sempre o corpo obedece

Nem sempre o corpo realiza

O que a alma idealiza


Muitas vezes o corpo reprime

Aquilo que a alma mais deseja

O corpo por instinto de preservação reduz

Aquilo que na alma cresce

E por isso, por vezes adoece e perece


E é por isso que faço as pazes com teu corpo

Pois pra garantir meu equilíbrio

Precisei romper com meus códigos morais

E pra restaurar minha agressividade

Foi preciso um pouco de promiscuidade

De sujeira em meus canais


Sem um corpo não vivo

Apenas existo

E por isso que não resisto

Insisto em permanecer com você

Confortando-me como homem

Embrutecendo-me como ser


Teu corpo apenas existindo

Pra satisfazer o meu

Não respeito minha alma

Ficando assim ao lado seu.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

sábado, 20 de novembro de 2010

CORPO DE EVA, SEXO DE ADÃO




















Na adolescência nunca fui desejado

Nunca me senti atraente


Dentre os mil complexos

Psicológicos e físicos que me angustiavam

Todos me tornavam inseguro e incapaz

Na arte de seduzir uma mulher


Mulheres... Objecto do meu desejo

Desejo que não foi satisfeito

Até que me tornasse uma


Pra preencher essa lacuna

Tornei-me a mulher que desejava

Tanto nos aspectos físicos

Quanto nos psicológicos

Tornei-me hoje

A bela que sempre quis ter


Tornei-me a fêmea idealizada

Psicológica e fisicamente construída

Fêmea que vislumbro perante o espelho

Diante do qual de forma distorcida

E pouco compreendida

Afirmo minha masculinidade

Habitando um corpo de mulher


Ensaio meus gestos

Busco em desempenho sexual

Representar imaginariamente

O papel que sempre esperei de uma mulher

Mulher real que não tive coragem de encarar


No deserto solitário

De nunca ser desejado...

De feio à bela...

Da invisibilidade ao brilho...

De um canto qualquer para o centro das atenções


Os hormônios me trouxeram auto-estima

Silicones elevaram – me a moral

Eu quero ser fêmea fatal

Mas quero continuar activa

Não quero ser fisicamente mutilada

Nem psicologicamente castrada pela "espada social"


Quero permanecer por gratidão

Com o sexo de Adão

Em homenagem à espada da mulher que mais amava


Pois sem sua espada

Sem seu “animus

Eu nunca teria existido

Jamais teria sido criada

Muito menos educada

E principalmente, saber o que é ser amada


Em respeito ao respeito desta “mulher soldado” por mim

Eu levo a minha vida não na iniquidade

Mas sim com paz, amor e muita dignidade.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

CONSUMIDORES

























O que mais tem nesse mundo são corpos
Corpos que parecem gente
Gente disfarçada de gente
Gente disfarçada de crente
Gente disfarçada de marcas
Gente disfarçada de corporações e instituições
Gente disfarçada de coisas
De coisas que compram gente
Gente que não entende gente
Gente igual a gente
Gente que parece ser mais gente
Parece... mas não é
Perece... mas não parece
Então criamos coisas que nos diferenciem
Que nos iludam de que tais coisas
Tornem-nos diferentes, portanto, melhores
Daquilo que somos parecidos
É o medo inconsciente da morte
Morte que te mata em meio à sorte
Realidade angustiante
Que te coloca sempre na condição de principiante
Órfãos de realidade
São consumidores de ilusão
Se você não for adulto
As coisas que você possui
Acabam possuindo você
Cuidado com as coisas que você não deseje possuir
Essas ideias também podem te aprisionar
Quais são os seus desejos?
Quais são seus medos?
Quais são seus disfarces?
Todos somos consumidores
Mas você a qual categoria pertence?


TIAGO TAMBURU BRESSAN

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

MULHER DE NEGÓCIOS















Você, trabalhando no serviço secreto

Com dupla identidade

Eu investigando, insistindo e buscando

Minha fantasia de amor bandido realizei

E paguei caro pela tua lealdade

O juro foi alto

Pra receber de você fidelidade

Pois é sincera apenas quando lhe convém

E pra aparecer

Sempre tenta dar o que não tem


Tem nos olhos o cifrão

Diz-se sensível

Mas torna os outros invisíveis

A frieza como ostentação

É a fera que domina o teu coração


Diz-se emotiva

Mas é movida pela ambição

Vende suas mentiras

À custa da própria beleza

Explora enquanto se deixa explorar

Mas isso é o que resta

Pra quem sabe apenas negociar

Explora se deixando explorar

Pois nada mais resta

Pra quem não sabe amar

Seus dias estão contados

Contando as contas que tem a pagar


Mulher de negócios

Procurando seus sócios

Trabalhando com a repetição

Teu escritório é um quarto

Tua escrivaninha um sujo colchão


Lucrando com a alheia solidão

Passa o dia contando dinheiro

Tentando com ele compensar

O medo e o vazio que habita o teu coração


Durante o dia combate com o verbo o sistema

À noite com o corpo a ele se entrega

Vivendo mergulhada num mar de contradição


És bela... A bela da tarde

E da noite também

Nunca se apegando a ninguém

Pois não consegue dar, de fato, afeto

De fato, aquilo que não se tem

Não se pode doar


Garota propaganda em tempo integral

Tempo é dinheiro

Teu lucro cava o teu sepulcro

Pagará com ele a conta do teu funeral.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A MULHER QUE DESEJO AMAR























A mulher que desejo amar não se ama

Mas diz que se ama

E que ama a mim também

A mulher que eu quero respeitar

Não se respeita

A mulher que eu busco valorizar não se dá valor


Ela é flor em meio a espinhos

Alguns tão mesquinhos

Que sua carência afetiva

A torna parecida com um cachorrinho


Comporta-se de acordo com seus interesses

Sejam afetivos ou materiais

Ela quer atenção

Quer que decifremos todos os seus sinais


Se quer me ter

Pare de meter

Mulheres como você

Não se cria muitas expectativas

Seu comportamento te condena

Define seu futuro

Seu comportamento imaturo a torna descartável

Pois no mundo existem dois tipos de mulheres:

Há mulheres pra se amar

Há mulheres pra se divertir


Se tenho ciúmes me diz imaturo

Se não demonstro é porque não amo

Se me abro sou frágil

Se me fecho sou complicado

Diz que só falo de mim

Mas quando pergunto sobre ela

Nada tem a dizer

Não sei, quem sabe, pode ser

É o que ela é

Tais palavras são suas definições


Em seu pedestal infantil

Ela quer é ser decifrada

Menina mimada

Arrogância disfarçada

Menina eu quero ser seu homem

Não o pai que você não teve


Pra ela a própria agressividade é uma virtude

A mesma agressividade no outro

É tosco, estúpido e boçal

Comportamento animal

Suas necessidades são mais justificáveis que a dos outros

Querida, necessidades são necessidades

Não existem diferenças

A necessidade que um tem de amar

É a mesma que o outro tem de ser amado

A importância que o azul tem pra você

Tem o verde a mesma importância para o outro

Seus desejos não são melhores que o dos outros


A princípio busca nos homens inteligência

Pra depois não saber o que se fazer com ela

Precisa-se de inteligência

Para entender a inteligência dos outros


Vamos ficando pelo caminho

No meio de suas amizades

Em meio a essas vozes que não dizem nada

Em meio à guimbas amassadas num cinzeiro

Em meio ao álcool que te absorve

A cada gole que sorvemos

Vamos ficando limitados

Pra não dizer atrasados

Pois o tempo que temos pra nos aproximar

Gastamos olhando a vida dos outros

Vigiando os problemas alheios

Nós somos fantasmas

Idólatras ególatras de fantasmas que nos fizeram


A cada decisão que você não toma

Cada vez mais eu tomo as minhas

É melhor sermos adversários solitários

Do que uma dupla fraca

Quem tem seu corpo parece ter sorte

Menina, menina

Tua alma tem cheiro de morte.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

sábado, 18 de setembro de 2010

O GOZO DO HERÓI





















Muitos acreditam que os heróis não sentem dor ou medo, mas sentem.


Os heróis são heróis não porque não sentem dor ou medo

Mas porque tentam superar suas dores e medos

Durante suas jornadas de sacrifício pela face dos planetas que habitam

Seja qual planeta for.


A virtude dos heróis não está no fato deles não possuírem conflitos ou sentimentos

humanos

Mas muito pelo contrário, de os possuir e ainda serem exemplo de superação

Pois lutam feridos e ainda voam com peso nas costas sem reclamar.


Os heróis possuem medos e dores interiores como já disse

Mas suas coragens internas contrapõem-se e superam seus medos, dores, dificuldades e limitações íntimas.


Heróis são seres humanos melhorados, com maior auto-conhecimento

E portanto maior auto-estima.


Heróis são exemplo de travessia e não de chegada

Pois a virtude do herói está na luta e não vitória.


O verdadeiro herói sabe que a vitória é circunstancial, a luta, porém, essencial.


A vitória propicia o reconhecimento enquanto a luta o crescimento.

O reconhecimento pode causar ócio, cegueira e paralisia

E um herói não para de crescer

Pois crescer interiormente é a meta do verdadeiro herói.


O gozo do herói é luta e a persistência, não a conquista

Pois só existirá herói enquanto existir luta.


A conquista valoriza o homem perante o homem

Mas só a luta garante e valoriza o homem frente a vida.


Nós, homens heróis, que sabemos que não é a conquista que dignifica o homem

Mas a obstinação em manter-se na luta

Aprendemos que não basta lutar, é preciso amar a causa

É preciso amar a luta!



TIAGO TAMBURU BRESSAN

domingo, 5 de setembro de 2010

DESCOBERTAS




















Aos poucos fui descobrindo

Que a escola não te prepara para a vida

E que o amor romântico

É mais um ideal comercial

Do que um ideal humano

Descobri que o humor

É bem mais promissor do que o amor

Aliás, descobri que humor sarcástico

É bem mais saudável que o amor romântico

Aos poucos fui descobrindo

Que você também é o que você tem

Descobri também que teoria e prática

Quase nunca andam juntas

E que julgar alguém por um comportamento

É bem diferente do que discriminar alguém por um comportamento

Em nossas vidas

Pequenas descobertas são grandes negócios

Eu julgo, eu amo, eu detesto

Oras aceito, oras protesto!

Descobri que sempre fiquei com os restos

Destes restos me fiz

Construí o meu império

Uma colcha de retalhos

Um monstro de Frankenstein

Eis o que sou!

Descobri que no calor da partida

O ser é o que é

Seja hétero ou bi

Homem ou mulher

O que a gente quer

É saciar a fome que nunca tem fim

Enfim, a sós com a vida

Até que as nossas descobertas nos reparem

Enfim, sempre a sós com a vida

Até que a dor novamente se insinue

Até que a morte nos separe!



TIAGO TAMBURU BRESSAN

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

SOMATIZAÇÃO




















Meu corpo é uma garrafa

Meu coração

Em união com minha mente

É minha alma

Minha alma é o gênio

Eu sou o gênio da lâmpada

Um gênio preso, espremido e comprimido.

Esperando que alguém bom me encontre

Que um bom ser me liberte

Esse alguém é a morte

Mas eu posso me libertar

Mas não faço

Mas de que adianta eu não me libertar?

Se a garrafa já começa a trincar?




TIAGO TAMBURU BRESSAN

domingo, 8 de agosto de 2010

VIOLÊNCIA

















Nesses momentos minha alma clama

Por uma caneta e um pequeno pedaço de papel

Na verdade minha alma clama por liberdade e devassidão

Meus desejos me fazem vilão

Na arena da vida

Meu maior inimigo sou eu

E quanto mais eu me conheço

Menos me reconheço no direito de julgar

Pois sempre acabo fazendo aquilo que nos outros critico

Sempre acabo me tornando aquilo que nos outros detesto

A cada dia estou me transformando naquilo que persigo

Naquilo que condeno

Porque persigo?

Porque condeno?

Será inveja por se permitirem fazer tudo aquilo que não tenho coragem?

Tenho medo

Tenho é medo de gostar daquilo que julgo deplorável

É melhor me tornar inimigo declarado

Daquilo que temo, daquilo que admiro

É melhor me afastar ao invés de tentar entender

Todo homem tem um preço

Seja homem ou mulher

E eu preciso apenas de uma oportunidade

Pra provar que não sou bom

Mas traiçoeiro vingativo e cruel

Minha violência não verte sangue

Não produz hematomas

Mas verte lágrimas

Lágrimas de sangue

Minha vingança produz traumas

Minha vingança é eufemista

Provoco feridas que medicamentos não podem curar

Minha crueldade é sutil

Mais afiada que baioneta de fuzil

Mas apesar de tudo

Contenho minha violência para o mundo externo

Violento-me para não produzir violência nos outros

Preciso de religião pra não saber quem sou

Preciso de uma doutrina de medo

Para refrear meus instintos

Conter meus impulsos

Hoje minha violência sublimada

Tem o nome de sarcasmo

Minha espada é minha ironia

Criei uma filosofia que me dá segurança

Onde a contenção é minha alegria.

Disfarço hoje o meu preconceito

Sob o nome de moral.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

terça-feira, 27 de julho de 2010

INSIGHT





















A paixão foi transformando-se em compaixão

A alegria que nos unia

Foi transformando-se em tristeza que nos separava

A alegria que nos preenchia

Foi transformando-se em raiva que nos consumia

E a raiva que nos consumia

Era a mesma que nos unia

E a raiva transformou-se em tristeza

Tristeza que nos separava

A tristeza buscava algo para se salvar

Algo em que eu pudesse admirar

Mas só existiam máscaras

Tristeza maquiada, alegria dissimulada

O meu corpo reagia ao que ela sentia

Seus sintomas agora eram os meus

Sua depressão me deprimia

Sua loucura me enlouquecia

Impotente, sempre segundo, desvalorizado

Inútil, distante, pedante, castrado

Sem espada, sem falo

A casa velha temia reforma

E eu não sabia onde empregar meus talentos

Éramos dois homens em uma hetero relação

Éramos dois homens com órgãos diferentes

Éramos dois atores disputando o mesmo papel

Insight, de já vu, por um fio

A relação no fio da navalha

A paz que perseguíamos

Tornou-se o inferno do qual tentávamos nos afastar.




TIAGO TAMBURU BRESSAN

terça-feira, 13 de julho de 2010

FRAGMENTO














Quer saber o que quero?

Destrua o mundo

E novamente ponha-o de pé

Você quer me agradar?

Dando-me um pouco daquilo que gosto?

Daquilo que valorizo?

Viaje então em suas reminiscências

Penetre o vazio

A escuridão que te habita

Ascesse as dúvidas, as incertezas

E as ilusões que te deformam.

Queime sua identidade secreta

Viole seus códigos morais

Viaje no tempo

Se apodere de seus fragmentos

Aceite suas dores

Sinta o medo

Que se apodera de ti

E da auto-imagem

Que dessa experiência advém.

Vizualize-se e sinta-se

Sinta o cheiro da carne crua

Do enxofre do inferno

Do cadáver dissecado

Da podridão da morte

Mas também das rosas.

Ouça as poesias a muito negadas

Há tempos relegadas

Ao porão escuro do inconsciente

Submeta-se, destrua-se

Divirta-se, reconstrua-se

E volte pra mim

Como um ser real, plural

Sem machismos ou feminismos

Caminhando sozinha, de pé.

Que o meu sadismo

Tenha conseguido destruir o seu masoquismo

Objeto e sujeito

Rumo à unificação.

Volte pra mim

Não moldada, mas amadurecida

Um ser de possibilidades infinitas.

Sim, é assim que quero

Desde que você queira

Pois é assim que sinto

É assim que amo:

Olhando-me no espelho

Apreciando-me através do trabalho realizado

Na mente de outro ser

Tudo para obter seu corpo

Tudo em nome do prazer.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

quarta-feira, 30 de junho de 2010

ABORTO

























Você se foi!
E comigo me deixou a solidão.
Uma alma humilhada
Pela minha forma de amar
Não ter sido reconhecida ou valorizada.
A vaidade atormentada
Por não ter sido sido eu em sua vida
O homem mais marcante
E o amor mais importante.
Um coração despedaçado
Por não ser mais desejado
Por quem ainda desejo.
O silêncio que antes amava
Hoje eu odeio!
Pequenas coisas tuas
Que em gavetas encontro
Trazem-me grandes recordações
Grandes frustrações
Por não ter vivido contigo
Tudo aquilo que ansiava.
Meus planos ficaram pelo caminho
O fluxo do meu querer
Teve que ser contido.
Está tudo bem
Está tudo certo.
Um dia somos pedra
Outro somos vidraça.
O que sinto agora
Um dia, já fiz alguém sentir.
Como tu mesma
Já sentiu um dia, tudo isso que agora sinto.
Encontros e desencontros
São coisas da vida.
Não somos vítimas nem vilões
Melhores ou piores
Somos apenas seres humanos que se arriscam
Pra viver a vida com felicidade
Pra sentir as emoções com sinceridade
E pra amar...Amar com autenticidade.


TIAGO TAMBURU BRESSAN

quinta-feira, 17 de junho de 2010

CORAÇÃO PARTIDO

























Vim aliviar nosso sofrimento

Teu orgulho nos faz sofrer

A vida é curta

E a morte sempre se insinua.

Você tem arritmia e eu palpitação

Porque violentar a alma que clama por união?

Porque escolher o caminho mais fácil

Se ainda nos gostamos?

O sentimento que fala por nós e pela gente

Não se encontra em apenas um de nós

Mas em nós dois simultaneamente.

Porque terminar quando os dois ainda se amam?

Vamos juntar nossos cacos

Pra novamente tentarmos sermos um

Minha casa de novo é tua

Minha cama de novo “sua”

Meu coração partido de volta é seu.




TIAGO TAMBURU BRESSAN

sexta-feira, 4 de junho de 2010

QUEM É VOCÊ?

















Se não te dou afeto eu não te afeto!

Se não te dou amor você não sofre!

Se te dou carícias eu te constranjo!

Se não te exijo sexo, te alivio a culpa!

Quem é você, que quando beijo você não está?

Onde está você, que nunca está no mesmo lugar?

Alma fria em um corpo morno!

Quem é você, que quando digo te amo te deixo aflito?

Que quando digo te quero você não é sincero?

Que quando digo vem pra mim você foge de mim?

Mas quando te digo adeus você me procura

Com suas palavras você me censura

Com seu fogo você me tortura

E em outras palavras

Pelo altar sagrado dos olhos você me diz:

-Obrigado por me fazer sentir, por me lembrar de existir

Por trazer sentido aos meus sentidos há muito não sentidos

Sinto muito, por um gozar assim tão gótico, tão down

Eu só sei sentir assim, felicidade pelo medo, pelo horror

Eu só desfruto do amor pelos caminhos da dor

Meus fantasmas estão comigo, esteja eu onde estiver.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

domingo, 23 de maio de 2010

O PRAZER DE NÃO SER

























Adoro dormir

Pois quando durmo

Por algumas horas

Deixo de existir

Por algumas horas

Não penso em desistir

De tudo aquilo que não me propus a viver.

Nessas horas de inconsciência

Não sei quem sou

Não sinto culpa

Nem coagido pelo próprio ego

A pedir desculpa.

Quando estou ausente

Não me sinto culpado

De não sentir culpa

Nem pressionado a ser

O que os outros esperam de mim.

Esse sono sagrado de todos os dias

É uma das possíveis mortes existentes.

Sinto-me livre

Ao desfrutar da tua companhia

No aconchego do teu não saber

Na paz da tua não exigência.

Sono que amo

É você a melodia do meu piano

O herói que me salva da realidade

Dos perigos do conhecer

E das escolhas que tenho que fazer

Mas você é apenas minha droga

Que me abandona em todo amanhecer.

Você é apenas um anjo

Que nos prepara para encontrar

Com a nossa grande e poderosa mãe

Aquela que derrota os fortes e os fracos

Destrói os humildes e arrogantes

Também os cultos e ignorantes.

Espero-te essa noite

Sozinho em meu quarto

Pra que me mostre mais uma vez

Essa pequena fracção

Do que talvez seja a eternidade.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

domingo, 9 de maio de 2010

VENCI MEUS RIVAIS

























Venci meus rivais

Em uma batalha justa

Entrei como um dos últimos

Na arena inóspita do seu coração

Mas se hoje sou o primeiro

Foi porque soube esperar

Não há guerra perdida

Há vontade de lutar

A beleza de vencer

Está na arte de saber esperar

Ataques, defesas

Sinceridade e simulação

São ferramentas de um jogo

Depende da ocasião

Sofrer faz parte do jogo

Sentimento ambivalente

O sofrimento que te faz crescer

É o mesmo que te faz estagnar

Ferir e ser ferido

Também ferir-se

Expressar-se, conter-se, disciplinar-se

Se quiser vencer

Aprenda a esperar.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

sábado, 27 de março de 2010

INIMIGO ÍNTIMO

























Abençoados sejam os afetos sentidos

Pelo romance entre os inimigos!

A inveja é uma delícia

A frustração de não te frustrar é uma desgraça

Desejo-te muitas infelicidades

Que na sua vida dê tudo errado

Vou ficar torcendo pelo seu fracasso e derrota.

No íntimo nós amamos os nossos inimigos

Pois não queremos que eles morram

Gostamos de vislumbrar suas tragédias passo a passo

Quando um inimigo morre é um vazio

Que morram os amigos

Nunca os inimigos.

É muito bom ter inimigos

Quando eles não conseguem nada.

Quando nossa vida está uma merda

Olhamos para a vida de nosso inimigo e ficamos felizes

Por estarem pior do que nós

Inimigo bom é mais fudido que nós

E assim sendo, eles servem pra elevar nossa estima

Suas derrotas são nossas felicidades

Por isso inimigos são importantes pro nosso crescimento

Nunca fique amigo de um inimigo

É muito bom ficar perseguindo alguém

Ocupando o nosso tempo arquitetando sua destruição

Difamando-o, apontando pelas costas seus defeitos

Ter inimigos é um movimento lúdico, evolutivo e educativo

Temos alguém pra pensarmos

Quem somos nós sem inimigos?

Temos que abençoar e orar por nossos irmãos inimigos

Eles que nos dizem as verdades com frases rasgadas

E nós temos alguém pra descontar nossa frustração

Já coloquei nos classificados:

“Procura-se inimigo para parceria lúdica”

Estou sozinho, carente

Precisando de inimigos!

Você quer ser o meu inimigo?

Eu quero ser o seu inimigo íntimo

Pois eu gostei tanto de você

Que eu amarei te odiar.

Quero encontrar sentido

Pra minha triste existência

Eu preciso de amor

Por isso quero alguém pra odiar.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

sábado, 13 de março de 2010

ALEGRIA




















Ando ouvindo vozes

Mas sei que não são as suas

Muito menos são as minhas


Tenho sentido pena

Que pena que não é de você

Tenho sentido alegria

Mas é por não estar com você


Mas te quero de volta

Quero você bem perto de mim

Mas é pra te fazer sofrer

Quero ver tua mente perecer

Vou te assustar, te desmoralizar

Pra poder te controlar


Teu sofrimento em meu cálice

Em pequenas doses de prazer


Transtornarei-te

Transformar-te-ei naquilo que sempre detestou

Pra tirar de ti

O que me negou


Minha alegria será a sua tristeza

Meu prazer degustar sua dor.



TIAGO TAMBURU BRESSAN

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

ORFÃO CARENTE

























Primeiro eu desejei mamãe

Depois eu desejei papai

Pra só depois desejar minha irmã

Saí de casa na ânsia de encontrar meu par

Achei ter encontrado em uma mulher

E de fato desejei minha mulher

Apenas até minha filha nascer

Tudo está acabado

Por permanecer incompleto

Eu sou invisível

Meu peso é zero

Eu continuo invisível

Sem que eles saibam

Pois continuo sendo o bom pai

O bom filho, o bom marido

O grande irmão

E eu continuo sozinho, sem lar

Na mais completa solidão

Não, eu não me tornei o “Novo Édipo”

Pelo menos na prática.

Pelo menos até hoje, ainda não.



(Texto complementar da postagem de setembro/2009, O Novo Édipo).



TIAGO TAMBURU BRESSAN

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

MODA CORRUPÇÃO


















Sai governo
Entra governo
Continuam greves
Continua o salário
Continua a ilusão
De uma nova nação
Continua o discurso
Sempre a mesma balela
Sempre a mesma enganação
Nunca sai de moda a tal corrupção.


TIAGO TAMBURU BRESSAN