Como são frágeis as construções humanas!
A fragilidade das máscaras, das acções, das relações
Como são frágeis as promessas humanas
Os compromissos firmados
A saúde, sucesso, fama e posição social.
Como são frágeis as noções de futuro
As sensações, emoções e conclusões.
Como são frágeis os sentidos criados
Pra nossa crise de desamparo
Diplomas, carreiras, masculinidades e feminismos
Adquiridos estes últimos em bancas de jornal
Pra nos desviar do foco, do desejo real.
Como é frágil e débil a fé em Deus
Como os demais castelos de areia criados.
Como é frágil o saber humano
A prepotência da aparência
Que vence a inteligência
Mas sucumbe ante a morte
Ante o envelhecer que tarda, mas não falha.
Como é frágil a existência humana com suas contradições
Garantias, certezas, vícios, controle, apego as paixões.
Filhos da onipotência humana
Não existem garantias, nem certezas.
Somente ilusões, crenças, fé... Desejo!
O que nos resta é escolher
Dentro de limitadas opções.
Tudo perece ante o imprevisto
O imprevisto disseca a nossa realidade
E nos mostra a fragilidade da felicidade, da conduta,
Da virtude, da moral, dos costumes.
Tudo sucumbe ante a necessidade:
Ideais, certezas, crenças, promessas, fé.
Tudo está à venda, tudo é negociável
Não só o corpo, mas a alma também.
Se tudo tem um preço, todo homem também.
Tudo arrefece ante a dor
Tudo o que foi dito e promessas de amor.
Na dor toda carne se afirma carne
Na tortura toda carne se trai
Na provação a verdade aflora
No sofrimento toda alma se entrega
Na pressão toda alma se retrata.
No deserto gelado da alma
Que cala ante o desejo
Que derrete o verniz que a oprime
E que se submete ao seu jugo
E ainda assim, diante das evidências nega
E pela negação, afirma o que é ser humano.
O olhar trai as palavras e o que elas dizem
O sentimento sem consentimento
Tenta alterar o teor das sensações
O substrato instintivo da mente
Vigora vida afora.
Nada está tão a mostra
Mesmo quando se mostra
Mas tudo está visível
Mesmo que aparentemente invisível.
TIAGO TAMBURU BRESSAN

