
Nem sempre concordamos conosco
Embora mintamos a nós mesmos
E aos outros sobre isto.
Assim sendo
Porque iríamos concordar com os outros?
Os outros são partes de nós
E muitas vezes
Partes de nós que não queremos aceitar
Ser, ver, muito menos entender
Justamente por temer.
Por isso quero uma vela!
Pois esta noite eu vou ao meu enterro
Velar o que se apartou de mim
Vão prestar culto ao que em vida
Sempre cultuaram em mim
Mas não o que eu cultuei.
Nesta noite será visto
Apenas aquilo que sempre quiseram ver.
Continuarei vivo pra mim
Parecendo morto pra eles
Enquanto era vivo na carne
Parecia eu morto para eles
Agora que morre a carne
Estou vivo pra eles
Vivo entre eles.
Enxuguem suas lágrimas
Apaguem suas velas
Pai, mãe, suas lágrimas estão afogando-me
Suas velas estão me queimando
Pai e mãe, em súplica lhes peço
Se acalmem, não se culpem
Não sejam egoístas
Não lamentem minha ausência física
Se amem para aprenderem a me amar
Se perdoem para conseguirem me perdoar
Deêm-nos uma chance
Fiquem em paz
Pra me deixarem em paz
Cresçam e aceitem a realidade
Do acontecimento mais natural da vida:
A MORTE!
Porque tanto desespero
Se sempre soubemos disso?
Quanto despreparo em vida
Perdidos em gozos, conforto
E bens materiais
Riquezas que duram um dia
Perante a eternidade.
Meus filhos, que estão meus pais
Não se afoguem em poças d´agua
Não chorem
Vivam e reflitam.
Não chorem, nem se lastimem
Prossigam!
Pois a vida não acabou para nós
Pois ela, a vida...Continua
Continua pra nós, além de nós
Continua velada ou nua
Pro mundo... E além do mundo.
Tiago Tamburu Bressan
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