sábado, 20 de junho de 2009

SÓ SEU CORPO NÃO NOS GARANTE











Você diz que eu não te amo
Mas como posso te amar
Se não sei quem és?
Você diz que temos afinidades
Mas se a temos
Onde está nossa intimidade?
Relegada ao sexo tão somente?
Como me cobras fidelidade
No sentir, no desejar
Algo tão completo
Se em meus braços te tenho apenas esquartejada?
Se queres respeito ou segurança
Você deve se amar
Garimpar a ti mesma pra encontrar
Se não te sinto por completo
Como vou te admirar?
Como vou te admirar
Se não te tenho acesso?
Acesso ao que podemos dividir
Acesso ao que podemos compartilhar
Como é deprimente ver tua fuga sempre em círculos
Sempre dentro da mesma cela
Voltando sempre pro mesmo lugar
Aí eu me pergunto:
Porque ainda estou ao teu lado?
Pela beleza do teu corpo
E por te-lo, por deseja-lo
Você se ilude, acredita ser isso
Motivo suficiente pra te amar e te desejar
E dentro da tua estreita visão
Motivo maior de sustentabilidade da relação
Você me diz que quem ama é fiel
E eu amo o teu corpo
Portanto, só a este serei fiel
Fiel eu sou por ser fraco
De não romper com a carne
Que tão somente a carne me satisfaz
Eu te dou em quantidade
A quantidade que você suporta receber
Eu só te enxergo até onde você permite
Não me cobre reconhecimento ou valor
De algo que em si teme conhecer
E não me venha apenas com tua beleza tentar me convencer
Não tente comprar minha alma
Com teu belo corpo
O corpo belo acaba um dia
Enquanto a beleza da alma vai perdurar
Tua proposta é um mau negócio
Por isso me empresto
Me testo nessa relação
Você diz que eu não presto
Enquanto se empresta de galho em galho
Eu sou mais um no rol das suas relações
Você deprimida, culpada
Julgada e condenada por si mesma
Condenada comigo pelo mesmo crime
Você se enxerga e vê que também não presta
Não me cobre um valor de alma
Se só sabe seduzir-me pela via do corpo
Porque me condena por comer da comida pela qual você me alimenta?
Por favor, não me peça elogios
Por algo que você não tem
Por algo que você não é
Não me exija coisas
Que você mesma não possa me dar
Mas por favor, não tente me dar
Aquilo que você não tem
Só pra ter de mim o que deseja
Nem tente ser aquilo que você não é
Pra tentar fazer de mim o que eu não sou
Só seu corpo não é o bastante
Só seu corpo não nos garante
E além do mais
Já cansei de me enganar
Tentando acreditar
Que era possível mascarar
Necessidades em amor
Carências em romance
Fraquezas em poesias
Dependência em compromisso
Insegurança pessoal em super valorização do outro
Chega, já cansei de me enganar
Tentando acreditar que fosse possível te amar
Chega, e mais uma vez te peço um tempo
Pra daqui algum tempo novamente retornar
Eu, em companhia da minha fraqueza
Em parceria com a minha luxúria
Também ando em círculos
E assim como você
Volto pra mesma cela
Volto pro mesmo lugar
Volto infelizmente... pro seu corpo
Não pra você.


Tiago Tamburu Bressan

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