sábado, 20 de junho de 2009

OURO NA ANÁLISE

























Todos os dias antes de dormir
Penso na morte
Que posso não acordar
E que a morte seja apenas isso
Esse dormir sem despertar
Venho sonhando com rumores
De tumores que possam me atacar
Aviões colidindo
Eu voando e tão logo caindo
São os dentes que caem
Ou apodrecem
Cabelos que se enfraquecem
Orgias que não acontecem
Relógios, tsunamis, redemoinhos
Enxurradas, descargas, vendavais
Sejam tartarugas atravessando avenidas
Ou sejam funerais
Vários são os símbolos
Que uma única coisa dizem
Traduzem um único medo
Conteúdos passionais
Inseguranças emocionais
Expressas em fragmentos aparentemente banais
De acontecimentos passados e também atuais
Timbrados em imagens desconexas
Por vezes complexas
Expurgando o lixo
Que é ouro na análise
Tento remontar-me
Preparar-me pra vida
Que é se enfeitar pra morte
Como fizeram e fazem os religiosos
Vivo matando-me e renascendo
Nesta sessão infinita de auto-análise
Nela machuco-me, elucido-me
Gozo e sofro
Nela odeio a minha falsa bondade
Amo a minha maldade verdadeira
Neste ambiente onírico
A freira chupa a puta
O medo das horas célere
Aproxima-me do objeto do meu desejo
Aqui no mundo real
Objeto que representa o oposto
De tudo aquilo que me angustia
Através dos sonhos reivindico o meu direito
Quero a vida e os anjos proibidos
Que ainda tão tenros
Já se encontram caídos
Vitimizados pela cultura de massa pós-moderna
Quero voltar à antiguidade
Quero retornar à Grécia antiga
Quero ser de novo um filósofo
Que a modernidade transformou em marginal
Patologizaram a minha virtude
E me catalogaram como em ente doente
Insanidade, demência, psicopatia
São os rótulos atribuídos
Por aqueles que estudam a mente humana pela literatura
Bem mais que pelo acesso a si mesmos
Tabus existem pra serem quebrados
Essa é a expressão máxima dos pornógrafos.


Tiago Tamburu Bressan


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