
Desejo você, mulher do ego
Que habita as entranhas do meu ser
Essa sua suave tristeza tem algo de doce
A dor que te define me engrandece
Me enobrece, me envaidece
Me capacita viver a vida real
Tão banal e passageira
Sou infiel
Traio você com meus efémeros amores do mundo real
Meu corpo vivo
Me faz permanecer no profano da existência
A esperança da morte é alcançar o pódio do sagrado
E as profundezas do meu ser
Quantas mulheres do mundo, no mundo
Já deixei por não te encontrar
Você ofusca as mulheres
Me alerta pras mentiras que nelas quero crer
E pras verdades que nelas não quero enxergar
Como uma mãe repressora, dominadora e ciumenta
Que não deixa o filho crescer
Você interfere em minhas escolhas reais
Me mostrando o quanto é vil o que não seja como você
Tudo o que não tenha o charme do teu intelecto
Nem a beleza do teu coração
Realmente você me faz infeliz
Narcisicamente tão feliz
Que me sinto culpado
Por ser tão amado pelo teu ciume
Irado por permanecer estagnado em sua teia viscosa
Oh esperança, me traz a morte se eu tiver sorte
E com ela livra-me do pecado enraizado como um tumor malígno
Nefasta existência já quase assexuada
Andrógena personalidade já quase constatada
De solidão em solidão
Vou colecionando vícios que me garantam
Que respondam ao meu vazio
Que me deem representatividade
Que camuflem dos olhos alheios a minha dor
São as malditas máscaras
Que de forma vã substituem
A crença minha de fusão
De imortalidade da alma pela via do teu amor
Teu amor é a minha paixão
Tu está em minha essência
Tua busca é minha bendita
Minha maldita religião.
Tiago Tamburu Bressan





